Após um escândalo judicial sem precedentes na história recente sueca, a clínica psiquiátrica de Säter, no norte de Estocolmo e onde Bergwall estava desde 1991, pediu esta semana sua mudança para regime aberto.
Quando, em meados do ano passado, foi concluído o último caso para revisar, o governo sueco criou uma comissão para estudar o papel do sistema judiciário e da medicina legal na história deste homem, um doente mental que confessou mais de 30 crimes enquanto era submetido a tratamento e sob efeitos de drogas.
Sua confissão foi a única prova usada para condená-lo entre 1994 e 2001 por oito assassinatos. Anos depois, após rejeitar o tratamento e superada a dependência de drogas, Bergwall retirou suas declarações, e iniciou um processo que está a ponto de terminar com sua libertação.
Seus problemas com a justiça começaram em 1970, quando foi condenado a tratamento psiquiátrico em Säter por abusar de quatro jovens e tentar estrangular uma pessoa no hospital onde trabalhava.
Diagnosticado com alteração antissocial da personalidade, Bergwall, viciado em drogas desde a adolescência, ficou livre em 1977. Uma frustrada tentativa de roubo com sequestro o levou de novo à clínica psiquiátrica em 1991.
Dois anos depois, quando faltavam poucos meses para sua saída, confessou ter matado Johan Asplund, uma criança que tinha desaparecido 13 anos antes.
Foi a primeira de uma longa lista de confissões de crimes cometidos entre 1964 e 1993, que Bergwall relatou enquanto a psicóloga Birgitta Stahle usava tratamento sugestivo e prescrevia grandes quantidades de fármacos.
Tanto Stahle como o especialista em memória que colaborou com a polícia no caso, Sven Ake Christianson, faziam parte do círculo da psicanalista Margit Norell, com quem consultavam tudo referente ao caso.
Guiado pela dependência, pelo afã de protagonismo e instigado pelos psicólogos, Bergwall confessou anos depois que inventou o relato de sua vida, com abusos sexuais de seus pais na infância e um irmão assassinado por eles, detalhes que nenhum outro parente reconheceu.
Ele atribuiu a si várias personalidades e adornou com aspectos macabros as informações sobre os crimes que tinha visto na imprensa.
Segundo os analistas que o tratavam e cujo testemunho foi fundamental para o caso, o que proporcionou dados errôneos para reconstruir os assassinatos se devia a lembranças muito desagradáveis.
A história deu uma reviravolta quando em 2008, em um documentário da televisão pública, Bergwall reconheceu que tudo era uma invenção e que no tratamento não tinha estado limpo das drogas "nem por um só dia".
Entre 2010 e 2013 foram reabertos todos os casos e Bergwall foi inocentado diante da fraqueza da acusação.
O magistrado do Tribunal Supremo Göran Lambertz, que em sua época como promotor superior em 2006 não encontrou erros no dossiê Bergwall, foi transferido há um mês para o Conselho de Leis, um órgão consultivo.
Embora estivesse previsto, a imprensa sueca afirma que sua mudança foi acelerada por causa de sua inflamada defesa pública do processo.
Após se retratar e mandar uma carta pedindo perdão, Bergwall se reconciliou com seus irmãos, que o apoiaram pessoalmente na revisão do caso. A última foi em outubro, quando o tribunal administrativo de Falun, que revisa a cada seis meses se ele deve continuar internado, pediu um novo estudo mental, o primeiro desde 1991.
O exame concluiu que Bergwall tem um transtorno psíquico e recomendou a mudança para regime aberto. "Estive trancado atrás dos muros de Säter por 23 anos. É muito tempo na vida de uma pessoa e agora finalmente serei livre", disse recentemente Bergwall, de 63 anos, que vislumbra o fim de sua história.Reportar Erro
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