O governo da Venezuela e a oposição voltam a se reunir nesta sexta-feira (11) com o objetivo de buscar uma saída para a crise política e econômica. Dono das maiores reservas mundiais de petróleo, o país enfrenta desabastecimento e uma inflação anual superior a 400%. Os partidos oposicionistas, reunidos na Mesa de Unidade Democrática (MUD), querem realizar este ano um referendo revogatório para destituir o presidente Nicolás Maduro e convocar novas eleições.
Segundo o secretário executivo da MUD, Jesus Torrealba, a oposição “irá à Mesa de Diálogo para exigir que se restitua ao povo o direito de votar”. Se o governo não voltar atrás na suspensão do referendo revogatório, os oposicionistas voltarão às ruas. “A trégua que concedemos, a pedido do Vaticano, termina nesta sexta-feira”, disse.
O referendo revogatório, previsto pela Constituição venezuelana, permite ao povo destituir o presidente. Mas, para convocá-lo, é preciso antes obter o apoio por escrito de 20% do eleitorado. A oposição – que em dezembro passado conquistou maioria parlamentar, pela primeira vez em 17 anos de governo do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) – começou a circular um abaixo-assinado. Mas o processo de coleta de assinaturas foi suspenso pela Justiça, para apurar supostas irregularidades.
A oposição saiu às ruas para protestar, por considerar a suspensão do referendo uma manobra judicial para adiar o processo. Se o presidente for destituído este ano, serão realizadas novas eleições. Depois desse prazo, o vice-presidente assume o lugar de Maduro até o final de seu mandato em 2019.
No dia 1º de novembro, a oposição tinha planejado marchar até o palácio presidencial, para denunciar o que considerava um “golpe” de Maduro, com a ajuda do Judiciário, para impedir a realização de novas eleições. A manifestação foi suspensa a pedido do Vaticano, que aceitou mediar um diálogo entre as partes.
No primeiro encontro, no último dia 30 de outubro, o governo e a oposição concordaram em “baixar o tom“ das agressões. Os opositores desistiram da marcha e Maduro soltou cinco dos mais de 100 opositores presos. A liberação de todos, além da retomada da coleta de assinaturas para o referendo revogatório, são as duas principais reivindicações da MUD. Já o governo quer apoio para enfrentar a crise econômica, provocada em parte pela queda do preço do petróleo, principal produto de exportação.
Os opositores acham que tudo não passa de uma manobra de Maduro para ganhar tempo e adiar o referendo para 2017. Como prova, a MUD pede ao governo um cronograma de eleições ou a reativação do referendo. Maduro disse nesta semana que não só vai completar o primeiro mandato, como vai disputar um segundo nas eleições de 2018.
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