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Suspeitos de agressão em lava-jato prestam depoimento

Advogado de suspeitos explicou que Thiago e Willian se colocaram à disposição das autoridades e que nunca houve intenção de ferir

09 fevereiro 2017 - 09h40Liziane Berrocal

Apesar da comoção que a lesão causada em um adolescente de 17 anos causou na sociedade, os dois suspeitos do crime, também buscam explicar o que aconteceu. Com isso, a reportagem tentou contato com Thiago Giovanni Demarco Sena, e que solicitou que a conversa fosse feita com seu advogado Francisco Guedes Neto, do escritório de advocacia Ricardo Trad, na Capital.

Segundo o advogado, a questão é muito delicada de se tratar, até porque não foi algo simples e sim, que causou comoção social e também revolta. Guedes explicou que a defesa já foi à delegacia, conversou com o delegado responsável pelo caso, “tem que ser muito cauteloso e cuidadoso, para que aquilo que dissermos, para entender bem o que vamos dizer”, inicia ele, que defende além de Thiago, também Willian Henrique Larreia.  

De acordo com a defesa, em momento nenhum houve intenção de fugir das responsabilidades ou se eximir dos fatos. “O Thiago se colocou a disposição para ajudar, levou ao hospital, já ligou para a família e ele e a mãe dele foram ao hospital, e deram toda assistência para a família da vitima e a vítima, mas como os ânimos ficaram exaltados, tiveram que se afastar para proteger a integridade física dele”, explica.  

O defensor ressaltou que o local de trabalho era sadio e que uma fatalidade aconteceu. “Eles brincavam, eram três que trabalhavam, brincavam, tomavam tereré, era um ambiente de trabalho amigável, e acabou resultando nessa lesão, inquestionável, mas não foi uma lesão dolosa, com a vontade de causar a lesão. Não houve o dolo ou o dolo eventual, ou seja, uma lesão culposa, não foi a intenção de ferir”, explica de forma didática.

Cuidadoso com as palavras, o advogado detalha que entende a revolta das pessoas, mas que em momento nenhum a brincadeira teve conotação sexual ou de violência propriamente dita. “Não podemos colocar uma tentativa de homicídio, não houve dolo, a vontade de matar, ou a vontade de introduzir a mangueira para matar ou lesionar os órgãos vitais do menino. Não existiu introdução da mangueira, e isso foi confirmado pela própria vítima, que prestou depoimento ontem (8) e confirmou isso, e o Thiago nunca imaginou que o ar ia entrar no corpo do rapaz. Se houve uma lesão, houve culpa, não a vontade de machucar o rapaz, que trabalhava com ele, convivia ali”, garante.

Gudes Neto ressaltou que Thiago já prestou depoimento na polícia, já entregou o passaporte, e se colocou à disposição. “Ele tem endereço fixo, não tem antecedentes criminais, é um rapaz que tem família, vai ser pai e está à disposição das autoridades na elucidação do caso. Ele é piloto privado de avião, já foi informada também a entrega da carteira dele expedida pela ANAC, tudo no sentido de dar segurança a polícia e a população que ele não se furtará de todos os atos investigativos”.

Brincadeira “infeliz”

Francisco Guedes Neto, assume que é uma questão complicada, mas que toda pessoa tem o direito de se defender. “O Thiago não tinha ciência da potencialidade da brincadeira, daí a culpa. A defesa tem a plena convicção que não houve sequer a intenção de machucar, de ferir a vítima, não imaginava a dimensão disso, a brincadeira foi feita por fora da calça, a própria vítima assumiu isso para a polícia”.

O depoimento do adolescente foi feito ainda no Hospital da Santa Casa, onde ele está internado. O quadro de saúde dele já apresentou melhoras e ele é considerado um paciente estável.  

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