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OPINIÃO: Cerrado ferido, Pantanal em respiro: o que dizem as chamas que se apagam

17 outubro 2025 - 08h00Sérgio Carvalho jornalista, roteirista e diretor    atualizado em 18/10/2025 às 08h23

Os ventos da primavera trouxeram uma boa notícia: o fogo deu uma trégua em Mato Grosso do Sul. Segundo o monitoramento do governo estadual, as áreas queimadas caíram 79,6% no Cerrado e 98% no Pantanal entre janeiro e setembro de 2025, comparadas ao mesmo período do ano passado. É uma vitória que merece ser celebrada — mas também compreendida com cuidado.

A redução das queimadas não significa que estamos fora de perigo. O Cerrado sul-mato-grossense, berço de rios e nascentes que alimentam o Pantanal, o Paraná e até a Amazônia, está reduzido a apenas 25% da sua cobertura original, segundo o MapBiomas. Em outras palavras: apagamos o fogo, mas ainda precisamos curar a ferida.

Os números refletem avanços reais — mais vigilância por satélite, ações coordenadas de brigadistas, campanhas educativas e o efeito das chuvas mais regulares. Mas também apontam uma questão estrutural: quando o bioma perde sua vegetação nativa, o ciclo natural da água, do solo e do ar se desorganiza. O fogo, muitas vezes, é só o sintoma visível de um desequilíbrio mais profundo.

E esse desequilíbrio já chega às cidades.
Quando o Cerrado se esvai, a umidade do ar cai, os rios secam, o calor urbano aumenta e a qualidade da água que chega às torneiras piora. Cada árvore perdida nas cabeceiras é uma gota a menos no futuro. Cada hectare devastado é um silêncio imposto à biodiversidade que sustenta nossa própria existência.

O desafio agora é manter a atenção.
O mesmo esforço que apagou as chamas precisa ser estendido à preservação das áreas remanescentes, ao controle do desmatamento e à responsabilização de quem polui ou degrada. Iniciativas como a “Semana da Pauta Verde” do Tribunal de Justiça de MS — com quase 400 audiências ambientais — mostram que a Justiça e a sociedade estão começando a agir em uníssono.

Apagar incêndios é urgente.
Mas reacender o amor pelo Cerrado é essencial.

Porque é desse chão que brotam os rios, as chuvas e a esperança.
E se há algo que o Pantanal nos ensina, é que a natureza sabe renascer — desde que a deixemos respirar.

Sérgio Carvalho – jornalista, roteirista e diretor de documentários

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