Menu
Menu
Busca domingo, 14 de julho de 2024
Secovi - Julho24
Opinião

OPINIÃO: OS ELEFANTES DA VERTICALIZAÇÃO

17 junho 2024 - 10h10Fayez Feiz José Rizk    atualizado em 24/06/2024 às 07h52
Melhores do Mundo - Jul24

Há uma cantiga tradicional infantil, com uma letra repetitiva que diz que um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais, três elefantes...e assim por diante.

Na atual – e repetitiva – discussão sobre a verticalização das edificações em Campo Grande, vale fazer paráfrase dessa letra: um edifício incomoda, e muito, muitos edifícios incomodam muito mais.

Não se trata de impedir a construção civil ou os investimentos nessa área, mas sim, adequá-la aos interesses maiores e o bem-estar de toda a população.

Uma edificação alta traz alguns inconvenientes muito visíveis como a quebra de privacidade da vizinhança imediata, mas também alguns menos perceptíveis como o aumento da temperatura do microclima (ar condicionado troca calor!), quebra dos ventos dominantes, a “ocultação” do sol e seus efeitos sobre a saúde, a pressão sobre a infraestrutura (água, esgoto, energia, vias, rede de comunicação, etc.) ou até mesmo a perda da paisagem urbana característica e/ou tradicional, nesse quesito o pôr do sol do Parque das Nações Indígenas que o diga!

Mas o mais evidente, hoje, é o da mobilidade urbana.

Campo Grande tem hoje uma frota de mais de 600 mil veículos, e nem todos têm garagem ou local para estacionar ou mesmo parar!

Infelizmente a legislação sobre estacionamentos de veículos nas edificações foi relegada e “afrouxada”. Um edifício, qualquer que seja o seu uso, atrai veículos que necessitam estacionar ou, por vezes, simplesmente parar para carga e descarga.

Vejam o exemplo da Rua Cel. Cacildo Arantes, no Chácara Cachoeira: além de dois colégios, um de frente para outro, inúmeras clínicas de grande porte, sem estacionamento suficiente, a presença de estabelecimentos comerciais e de serviços, bares inclusive, agora vai receber uma edificação vertical de grande porte, que vai trazer, com toda certeza, mais veículos para a região. Passem por essa via no horário de pico e avaliem o futuro...

Essa situação conflituosa já ocorre em uma via que é, na prática, o único acesso a uma região da cidade! Mas esse exemplo se repete em outros locais, como próximo ao shopping Campo Grande.

Onde os veículos de serviço, por exemplo, ou de usuários irão estacionar? Onde estacionar, desde o caminhão de mudanças ao veículo do encanador que presta serviço? Como é o acesso dos trabalhadores desses edifícios, já que o sistema do transporte público é precário (estou sendo muito condescendente na avaliação). Onde estacionar ou parar as milhares de motos que circulam em nossas vias? E os veículos de emergência, por onde passarão?

Se multiplicarmos os problemas de um único “elefante” por vários “elefantes” é exponencial o resultado.

Campo Grande tem uma das maiores áreas urbanas do Brasil, maior que a de Porto Alegre ou Fortaleza, por exemplo.

Espaço é que não falta para construir.

O licenciamento de edificações verticais não pode se ater a edificação em si, mas no conjunto de edificações da região de influência.

Há muito eu proponho uma regra única, para toda cidade: edificações acima de 10 metros de altura, devem ter afastamentos laterais, de fundos e de frente igual à metade da altura da edificação. Podemos até eventualmente liberar o gabarito (altura) das edificações. Mas, como exemplo, para erigir um edifício de 60 metros de altura, ou mais ou menos 17 pavimentos, a edificação seria afastada dos vizinhos cerca de 30 metros, sobrando espaço suficiente para estacionamento ou área de permeabilidade das águas pluviais, aliás, outro item dentre nossos problemas urbanos.

Simples assim!  Resolveria em grande parte os conflitos! Se você quer construir uma edificação grande (alta) que tenha terreno suficiente para isso! Como disse certa vez um corretor de imóveis: quem quer comer peru, não vá de pires na mão, pegue um prato grande.

Essa medida, junto com uma reformulação dos critérios de vagas de estacionamento, podem ajudar a solucionar essa questão tão importante da cidade. Aliás, na década de 80, introduzi na Lei de Ocupação e Uso do Solo o incentivo, com liberação de ISS e de IPTU para garagens subterrâneas nas edificações, mas, essa medida, ao que eu saiba, foi retirada.

Uma alerta: ou evitamos os “elefantes” reunidos ou eles matarão a nossa qualidade de vida.

Reportar Erro
Melhores do Mundo - Jul24
Digix - Julho24

Deixe seu Comentário

Leia Também

Fayez Risk
Opinião
OPINIÃO: O conforto perdido no centro da cidade
Ciro Nogueira, senador e ex-ministro-chefe da Casa Civil
Opinião
OPINIÃO: As eleições da França e a lição para o Brasil
O advogado, Sergio Maidana
Opinião
OPINIÃO: Coração Peludo
Fayez Risk
Opinião
OPINIÃO: O Centro de Campo Grande ainda tem solução
Funtrab tem vagas para carreteiro, auxiliar de limpeza e pedreiro
Opinião
Funtrab tem vagas para carreteiro, auxiliar de limpeza e pedreiro
Fayez Risk
Opinião
OPINIÃO: Plano Lerner na história do desenvolvimento urbano de Campo Grande
Fayez Risk
Opinião
OPINIÃO: OBRIGADOS A REPENSAR NOSSO LUGAR

Mais Lidas

Tempo amanheceu nublado e característico de frio
Clima
Nova frente fria desembarca em MS trazendo ainda mais instabilidade
Maria Eloir Flores Vilante -
Interior
Cargo fantasma rende condenação de vereadora em Mato Grosso do Sul
O fim de uma era: Primeiras notas de real vão parar de circular
Geral
O fim de uma era: Primeiras notas de real vão parar de circular
E o frio persiste em Mato Grosso do Sul
Clima
Frente fria ganha 'sobrevida' e impõe mínima de 8°C nesta sexta-feira em MS