Menu
Menu
Busca sexta, 01 de maio de 2026
Assembleia Abr26
Política

STF adia decisão sobre denúncia contra Bolsonaro

O caso será julgado novamente em setembro

29 agosto 2018 - 07h09Da redação com informações da Agência Brasil

Com um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) interrompeu na última terça-feira (28), com o placar de 2 votos a 2, o julgamento sobre o recebimento ou não de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), candidato à Presidência da República.

Ao pedir vista, Moraes disse que trará o caso de volta a julgamento já na sessão da próxima semana, em 4 de setembro, quando já terá se iniciado a campanha eleitoral dos presidenciáveis na TV e no rádio.

A denúncia foi oferecida ao STF pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em 13 de abril, em decorrência de uma palestra proferida no ano passado por Bolsonaro no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro. Ela acusou o deputado de racismo e manifestações discriminatórias contra quilombolas, índios, refugiados, mulheres e LGBTs.

Na ocasião, o deputado disse, por exemplo, que ao visitar um quilombo constatou que “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador eles servem mais”.

O relator do caso, ministro Marco Aurélio Mello, votou pela rejeição da denúncia. Para ele, as falas proferidas por Bolsonaro, apesar de passíveis de “censura moral”, não podem ser caracterizadas como crime, por não terem tido a capacidade de provocar atos criminosos em consequência e por terem sido feitas no contexto de sua atividade parlamentar, protegida por imunidade. Ele foi seguido pelo ministro Luiz Fux.

“A imunidade parlamentar, ainda que fora das dependências do Congresso Nacional, embora sujeitas à censura no plano moral, quando no exercício do cargo eletivo, a atuação do congressista está coberta pela imunidade”, afirmou Marco Aurélio.

O ministro Luís Roberto Barroso divergiu e votou para que Bolsonaro se torne réu pelos crimes de discriminação, devido à sua fala contra os quilombolas, e de incitação ao crime, devido ao conteúdo de suas falas em relação a homossexuais, proferidas em outras ocasiões, mas inseridas na denúncia pela PGR. Ele foi seguido pela ministra Rosa Weber.

“Me parece inequivocamente claro ser um tipo de discurso de ódio que o direito constitucional brasileiro não admite, porque é o ódio a grupos minoritários, historicamente violentados e historicamente vulneráveis”, disse Barroso em relação às declarações de Bolsonaro. O ministro, entretanto, dispensou as acusações relativas a indígenas e às mulheres, por não as ver como suficiente para caracterizar crime.

Antes, o vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, defendeu o recebimento da denúncia. “Em sua fala, estão presentes todos os elementos do discurso de ódio racial, sendo prática que exterioriza preconceito e induz a discriminação”, afirmou.

Em resposta, o advogado Antônio Pitombo, que defende Bolsonaro, afirmou que a denúncia apresentada pela PGR contra o deputado é inepta e contrária à liberdade de expressão garantida pela Constituição.

“Não é que o discurso é bonito, não é que todos nós devemos aderir positivamente ao discurso, não é este o ponto. O que não se pode eliminar é o direito de expressão de opinião, goste-se ou não. Não estou discutindo racismo, e sim a liberdade", pontuou.

Reportar Erro
UNIMED PJ Maio26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Beto durante evento do partido
Política
Primeiro encontro do Republicanos em MS reúne lideranças e traça metas para 2026
Plenário do Senado Federal -
Política
Congresso derruba veto de Lula e mantém PL da Dosimetria
Jaime Verruck, pré-candidato a deputado federal
Política
Verruck aposta em perfil técnico para não ser "baixo clero" na Câmara Federal
Foto: TSE
Política
TRE mantém atendimento no feriado e fim de semana para eleitores se regularizarem
Foto: Waldemir Barreto/Carlos Moura- Agência Senado - Bruno Spada
Política
Bancada de MS reage à rejeição inédita de Jorge Messias ao STF
Simone Tebet, ex Ministra do Planejamento e Orçamento
Política
Simone Tebet lidera disputa pelo Senado em São Paulo, aponta Quaest
Reprovação de Jorge Messias é um resultado raro na história recente da Corte
Política
Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF após reviravolta no plenário
Manifestações ocorreram em diversas cidades
Política
Fim da escala 6x1 é principal bandeira nos atos do 1° de Maio no país
CCJ realiza reunião para sabatinar indicados ao TST, Defensoria Pública da União (DPU), e STF
Política
Em sabatina, Messias defende STF mais colegiado e critica decisões individuais de ministros
Foto: Ricardo Agra
Política
Projeto assegura alimentação adaptada a alunos com deficiência em MS

Mais Lidas

Sede da Depca, em Campo Grande
Polícia
Morre bebê de 1 ano que foi vítima de maus-tratos e estupro em Campo Grande
Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconselos
Cidade
Após denúncia, TCU abre investigação sobre uso de R$ 156 milhões da Saúde de Campo Grande
Protesto - Foto: Sarah Chaves
Política
Trans e travestis se manifestam contra lei sobre uso de banheiros na Capital
Jornalista Sérgio Pereira Bittencourt - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Trânsito
Jornalista morre após grave acidente entre motos em Campo Grande