Menu
Busca segunda, 25 de março de 2019
(67) 99647-9098
TJMS março-19
Geral

Curso em Campo Grande expõe impactos socioambientais dos agrotóxicos

Iniciativa da ESMPU debateu possibilidades de enfrentamento do problema por vias judicial e extrajudicialmente

17 março 2019 - 11h50Da redação com assessoria

Membros e servidores do Ministério Público do Trabalho, além de pessoas interessadas no tema, lotaram o auditório da sede em Campo Grande para assistir ao curso “Atuação estratégica em face dos impactos ambientais dos agrotóxicos”, ministrado na semana passada.

A capacitação, promovida pela Escola Superior do Ministério Público da União, trouxe ao estado o pesquisador do Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador do programa de pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso, Jackson Rogério Barbosa, o médico e professor dessa universidade Wanderlei Antônio Pignati e o diretor-geral do MPT, procurador Leomar Daroncho.

Em sua exposição, Jackson Barbosa sustentou que persiste no país uma intencional invisibilidade dos riscos emergentes do uso excessivo e indiscriminado dos agrotóxicos no campo. Também, segundo ele, a forte dependência internacional do Brasil em toda a cadeia produtiva do agronegócio (insumos, fertilizantes, maquinários, alteração genética nas sementes, etc) favorece o aumento de agravos à saúde humana e a eclosão de danos ambientais.

Outro destaque na apresentação do pesquisador foi estudo conduzido pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e pelo Ministério da Saúde/Fundação Oswaldo Cruz. Os resultados apontaram que cada brasileiro está exposto a uma média de 7,3 litros de agrotóxicos por ano, posicionando o país como líder mundial no consumo de pesticidas – 20% de toda a produção no planeta –.

Por outro lado, Jackson Barbosa lembrou casos emblemáticos para mostrar que já alcançamos avanços com decisões judiciais, citando a condenação nos Estados Unidos da companhia Monsanto, gigante da indústria química e do agronegócio, ao pagamento de indenizações milionárias pela relação entre herbicidas da empresa e câncer causado em consumidores. 

O médico Wanderlei Pignati se baseou em números para revelar dados preocupantes sobre a elevada presença de agrotóxicos em Mato Grosso do Sul. Utilizou como exemplo o Município de Caarapó que, em 2015, possuía 28 mil habitantes. Naquele ano, foram plantados 176 mil hectares (81 mil de soja, 76 mil de milho, 16 mil de cana e 2,7 mil de feijão) e pulverizados 2,1 milhões de litros de agrotóxicos no entorno da cidade, lavouras, córregos e locais de criação de animais.

Pignati ainda destacou medida do governo federal (Lei nº 13.301/2016) que autoriza o uso de aviões para pulverizar substâncias químicas contra o mosquito Aedes Aegypti. Na visão dele, abordagens com larvicidas e nebulizações químicas (fumacê) para conter epidemias de dengue não se mostram eficazes e podem se relacionar a causas da microcefalia. Para o médico, é urgente a implantação, em nível nacional, de um sistema integrado de informação de venda e uso de agrotóxicos e a reavaliação do monitoramento de resíduos de agrotóxicos, passando a alcançar bancos de leite materno. “Devemos tratar este modo de produção agropecuário, ‘químico-dependente’, como problema de saúde pública humana, ocupacional, animal, vegetal e ambiental”, opina Pignati.

Na segunda parte do curso, o diretor-geral do MPT, Leomar Daroncho, defendeu a necessidade de intensificar exposições técnicas por profissionais da área da saúde coletiva que retratem os riscos a que estão expostos os trabalhadores, nos diferentes estágios da cadeia produtiva baseada nos agroquímicos. 

Daroncho também discorreu sobre os instrumentos judicial e extrajudicialmente que permitem a atuação no tema, inclusive com a possibilidade de parceria entre o Ministério Público brasileiro e segmentos sociais. E, ainda, compartilhou com a plateia dados do projeto de pesquisa "Avaliação da Contaminação Ocupacional, Ambiental e Alimentar por Agrotóxicos na Bacia do Juruena". 

Em regra, no meio rural homens são mais impactados por contaminações derivadas de agrotóxicos. A exposição também tende a ser mais gravosa em relação aos mais pobres, analfabetos ou com limitação no acesso à informação, envolvidos diretamente nas atividades de manuseio do veneno.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, entre 2007 e 2014, foram registrados 25 mil casos de intoxicação por agrotóxico de uso agrícola no país. Uma média de oito intoxicações por dia. Das pessoas intoxicadas, 1.186 morreram.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Geral
Indígenas liberam ponte após negociação
Geral
Jornalistas promovem workshop “Inove sua imagem”, na capital
Geral
Segue aberto prazo para cadastro na Agehab
Geral
Lances para leilão no Detran encerram nesta segunda
Geral
Governo divulga resultado do 37º Curso de Formação da Agepen
Geral
Índios fecham ponte que liga Paraná ao Mato Grosso do Sul
Geral
Cantor sertanejo morre em acidente na BR-163
Geral
Porto Murtinho se tornará o maior polo exportador de MS
Geral
Mulheres assinam 72% dos artigos científicos publicados pelo Brasil
Geral
Preço e confiança faz com que medicamentos genéricos cresçam no mercado

Mais Lidas

Polícia
Imagem Forte - Homem é executado com mais de 20 disparos em Ponta Porã
Política
Vídeo - Deputado apanha de vereador e sai machucado
Saúde
Ministério da Saúde faz campanha de alerta sobre tuberculose
Brasil
Diretor Domingos Oliveira morre aos 83 anos no Rio