"Fiquem em casa, não é uma gripezinha", postou Diogo Azeredo Polo Boz, de 27 anos, morador de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, que morreu enquanto esperava um leito de internação em um hospital público após ser diagnosticado com o novo coronavírus.
Diogo não tinha nenhuma doença crônica e procurou uma unidade de saúde quatro vez em cinco dias. Nas três primeiras, como tinha apenas febre e tosse, foi medicado e mandado para casa.
Na quarta-feira (8) Diogo já sentia falta de ar e teve de ser internado e na mesma manhã, enquanto esperava a transferência para um hospital, postou em sua página no Facebook um relato desesperado.
“É horrível, uma tosse que não para. Te impossibilita de respirar e te faz ter dores que você não imaginaria. Não aguento mais essas dores, ficar em uma sala de isolamento para poder melhorar e nada mudar. Qualquer coisa que você faça, já fica cansado, sem ar. Se cuidem, fiquem em casa, não é gripezinha. É real e está muito perto de todos.”
Foi a última mensagem de Diogo nas redes sociais, no último dia que a dona de casa Eromar Azeredo Polo Boz, de 55 anos, viu o filho. “Ele foi internado às 11 horas em um hospital que é referência para covid, então não podia receber visitas nem ficar com nada, nem celular. A única forma de receber notícias era ir ao hospital todo dia, às 15 horas, para falar com os médicos”, conta Eromar.
Na quinta-feira (9) Diogo seguia em tratamento, consciente, com máscara de oxigênio, mas sem precisar de respirador. Na tarde do mesmo dia, no horário da visita, o médico informou a mãe do jovem que Diogo seria entubado. “Ele me disse que tinha explicado para o meu filho que ia colocar o tubo para ele não sofrer muito, porque, mesmo com a máscara de oxigênio, ele estava cansando muito, fazendo força para conseguir respirar, então decidiram entubar, mas nunca achei que ele não sairia de lá.”
Na madrugada de sexta-feira (10), apenas 12 horas depois, Eromar recebeu uma ligação do hospital informado a morte de Diogo com insuficiência respiratória grave por causa da pneumonia provocada pelo coronavírus. Ele teve uma parada cardiorrespiratória e não aguentou.
O jovem foi cremado e as cinzas, conta a mãe, serão entregues em 24 de abril à família, um dia depois da data que o rapaz completaria 28 anos.
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Diogo Azeredo Polo Boz, de 27 anos, morador de Osasco (Reprodução/Internet)



