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Justiça

Justiça nega medida protetiva a menina que denunciou estupro de pastor em Campo Grande

Mesmo com relato de danos psicológicos e medo, a magistrada não identificou vínculo entre as partes e não considerou que o religioso já possuía outro boletim de ocorrência registrado por caso semelhante

02 março 2026 - 15h23Vinícius Santos     atualizado em 02/03/2026 às 18h44

A 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Campo Grande negou o pedido de medida protetiva a uma jovem de 21 anos que denunciou ter sido vítima de estupro aos 15 anos, em 2019. 

O acusado é o pastor Douglas Alves Mandu, ligado à Assembleia de Deus Missões (ADM), atualmente nomeado coordenador de um Centro de Convivência de Idosos (CCI) na gestão da prefeita Adriane Lopes.

Mesmo após a vítima relatar na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) que enfrenta medo e intenso sofrimento psicológico em decorrência dos fatos, a juíza Tatiana Decarli entendeu que não estão presentes os requisitos. 

A magistrada ressalta que a vítima poderá formular novo pedido de medida protetiva. Conforme consta nos autos, “o indeferimento por este juízo não obsta a requerente de realizar o pedido em juízo adequado”.

Chama a atenção o fato de que, conforme consta no boletim de ocorrência registrado pela vítima, o pastor já teria sido alvo de outro registro pelo mesmo crime. O caso anterior foi formalizado em 2024 na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). 

Denúncia - Dados do Boletim de Ocorrência indicam que o crime ocorreu em julho de 2019, período em que a vítima tinha 15 anos e estava de férias escolares.
O histórico do Boletim de Ocorrência descreve que, no momento do ataque sexual, a vítima estava na casa do irmão, que havia saído com a esposa, deixando a adolescente sozinha. 

Minutos depois, o autor chegou ao imóvel procurando o irmão da vítima. Mesmo após a jovem informar que ele não estava, o suspeito entrou na residência, segurou a menina e a empurrou para o quarto.

Segundo a vítima, o autor a despiu violentamente e consumou o ato sexual, causando sangramento e dor, já que ela era virgem. Após o crime, ele a deixou no local, mas retornou em seguida e deu um comprimido, que a vítima acreditou ser a pílula do dia seguinte.

A jovem esclarece que o autor possuía livre acesso à residência do irmão, por ser pastor da igreja que frequentam, e que a ameaçou, dizendo que mataria seus familiares caso contasse o ocorrido. Em razão disso, a vítima apresenta problemas psicológicos decorrentes do medo e do trauma.

O Boletim também informa que o irmão da vítima e sua esposa, cunhada da jovem, sabem o endereço do autor, mas se negaram a fornecê-lo, não acreditando na vítima. A comunicante afirma que o autor sabia que ela estaria sozinha no imóvel, pois havia falado com o irmão pelo telefone momentos antes.

Ainda segundo o documento, contra o autor já existe outra ocorrência de estupro registrada em 2024, desta vez na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e Adolescente), porém o desfecho dessa ocorrência não foi divulgado.

Posicionamentos – Considerando que o acusado do crime é servidor público nomeado, buscamos um posicionamento da prefeitura de Campo Grande. Em nota o município disse que "...por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Controladoria Geral do Município, está apurando rigorosamente os fatos e acompanhando o caso, a fim de adotar todas as providências administrativas cabíveis em relação ao servidor mencionado".

A assessoria de comunicação da Igreja também foi procurada, mas se limitou a informar que a situação foi encaminhada à diretoria e que será analisada pela Comissão de Ética com a devida atenção.

A reportagem também entrou em contato com a Polícia Civil para obter informações sobre o andamento das investigações e as medidas de proteção à vítima, e aguarda retorno.

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