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Assassinato de crianças em Campo Grande é 'nefasto e estarrecedor', diz promotora

A fala da representante do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ocorreu nesta quarta-feira, durante o julgamento do réu João Vitor de Souza Mendes

15 abril 2026 - 12h24Vinícius Santos

“Nefasto”, disse a promotora de Justiça Gabriela Rabelo Vasconcelos ao se referir ao ataque a tiros que matou duas crianças em Campo Grande. A fala da representante do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ocorreu nesta quarta-feira (15), durante o julgamento do réu João Vitor de Souza Mendes, acusado de participação na trama criminosa que terminou na morte de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke e Silas Ortiz, ambos de 13 anos.

O crime ocorreu em 3 de maio de 2024, no bairro Jardim das Hortênsias. Ao sustentar a acusação em desfavor do réu, a promotora afirmou que o caso deixou todos “estarrecidos” diante da morte dos adolescentes e destacou a forte comoção causada pelo episódio.

Ela ressaltou ainda que o Estado deu resposta imediata no mesmo dia do crime, com o início das investigações. Segundo a representante do MPMS, trata-se de uma “empreitada criminosa danosa para nossa comunidade”, que deixou a população “empolvorosa” diante da gravidade dos fatos.

JD1 acompanhou parte da sessão plenária de julgamento, que ocorre na 2ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Aluizio Pereira dos Santos. Durante a audiência, os pais de Silas Ortiz relataram o pedido por “justiça”, bastante abalados com toda a situação.

“A gente esperou tanto por justiça, já vai fazer dois anos. Estamos nessa expectativa, então eu espero que ele seja condenado pelos atos que cometeu… a vida do meu filho é preciosa”, disse a mãe, bastante abalada.

No julgamento, estiveram presentes apenas os pais de Silas. Já em relação à família de Aysla Carolina, não havia familiares acompanhando a sessão. O caso está em sua segunda fase de julgamento, após a realização da primeira etapa, ocorrida em 5 de novembro de 2025, quando outros réus já foram julgados e condenados no processo.

Entre os condenados pelo júri estão:

- Kleverton Bibiano Apolinário da Silva, apontado como mandante do crime, teria orquestrado o ataque de dentro do sistema prisional. Ele foi condenado a 14 anos de reclusão, referente à tentativa de homicídio de Pedro Henrique.

- Nicollas Inácio Souza da Silva, identificado como o piloto da motocicleta de onde partiram os disparos, confessou participação durante depoimento à polícia. Ele foi condenado a 43 anos e 20 dias de reclusão, sendo 10 anos pela tentativa de homicídio de Pedro Henrique, 15 anos pelo homicídio de Aysla, 15 anos pelo homicídio de Silas e 3 anos e 20 dias pelo porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, além de multa.

- Rafael Mendes de Souza, acusado de dar apoio logístico ao grupo, teria fornecido a motocicleta utilizada no ataque e sua residência como ponto de planejamento. Ele foi condenado a 11 anos de reclusão, sendo 10 anos pela tentativa de homicídio de Pedro Henrique, 1 ano por receptação e 1 ano pela posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

- Já George Edilton Dantas Gomes, motorista de aplicativo apontado como responsável por ajudar na fuga de três acusados após o crime, foi absolvido. Ele estava preso desde o ocorrido e, com a decisão, o juiz presidente Aluizio Pereira dos Santos determinou sua soltura.

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