No banco dos réus, João Vitor de Souza Mendes, acusado de participação em uma trama criminosa que terminou na morte de duas crianças em Campo Grande, pediu aos jurados que não o julguem pela “tatuagem de palhaço”. A fala foi dele nesta quarta-feira (15), durante o julgamento do caso ocorrido em 3 de maio de 2024, no bairro Jardim das Hortênsias.
Ele é apontado como uma das peças-chave na trama que resultou na morte de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke e Silas Ortiz, ambos de 13 anos. Os adolescentes foram atingidos por bala perdida durante uma ação criminosa que, segundo a investigação, tinha como alvo Pedro Henrique Silva Rodrigues, que sobreviveu após ser baleado na perna.
João Vitor é acusado de ser o autor dos disparos que atingiram os adolescentes, utilizando uma pistola calibre 9mm. No entanto, durante o julgamento, ele negou possuir arma de fogo do tipo.
Vitor relatou ainda que, desde o crime, está preso e não recebe visita da mãe. “Dois anos pagando por uma coisa que não fiz… que não me julguem pelas tatuagens”, disse. Segundo o acusado, a mãe nunca foi visitá-lo por estar com depressão.
O JD1 acompanhou parte da sessão plenária de julgamento, que ocorre na 2ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Aluizio Pereira dos Santos. Durante a audiência, os pais de Silas Ortiz relataram o pedido por “justiça”, bastante abalados com toda a situação.
“A gente esperou tanto por justiça, já vai fazer dois anos. Estamos nessa expectativa, então eu espero que ele seja condenado pelos atos que cometeu… a vida do meu filho é preciosa”, disse a mãe, bastante abalada.
No julgamento, estiveram presentes apenas os pais de Silas. Já em relação à família de Aysla Carolina, não havia familiares acompanhando a sessão. O caso está em sua segunda fase de julgamento, após a realização da primeira etapa, ocorrida em 5 de novembro de 2025, quando outros réus já foram julgados e condenados no processo.
Entre os condenados pelo júri estão:
- Kleverton Bibiano Apolinário da Silva, apontado como mandante do crime, teria orquestrado o ataque de dentro do sistema prisional. Ele foi condenado a 14 anos de reclusão, referente à tentativa de homicídio de Pedro Henrique.
- Nicollas Inácio Souza da Silva, identificado como o piloto da motocicleta de onde partiram os disparos, confessou participação durante depoimento à polícia. Ele foi condenado a 43 anos e 20 dias de reclusão, incluindo penas por homicídios, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
- Rafael Mendes de Souza, acusado de dar apoio logístico ao grupo, teria fornecido a motocicleta utilizada no ataque e sua residência como ponto de planejamento. Ele foi condenado a 11 anos de reclusão, por crimes como tentativa de homicídio, receptação e posse irregular de arma de fogo.
- Já George Edilton Dantas Gomes, motorista de aplicativo apontado como responsável por auxiliar na fuga de três acusados após o crime, foi absolvido. Ele estava preso desde o ocorrido e, com a decisão, o juiz presidente Aluizio Pereira dos Santos determinou sua soltura.
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Réu João Vitor de Souza Mendes - Foto: Vinícius Santos / JD1 Notícias 



