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Justiça

Em júri, acusado de matar duas crianças pede para não ser julgado pela 'tatuagem'

Réu apontado como peça-chave na trama criminosa disse que está "pagando por uma coisa que não fez"

15 abril 2026 - 11h48Vinícius Santos

No banco dos réus, João Vitor de Souza Mendes, acusado de participação em uma trama criminosa que terminou na morte de duas crianças em Campo Grande, pediu aos jurados que não o julguem pela “tatuagem de palhaço”. A fala foi dele nesta quarta-feira (15), durante o julgamento do caso ocorrido em 3 de maio de 2024, no bairro Jardim das Hortênsias.

Ele é apontado como uma das peças-chave na trama que resultou na morte de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke e Silas Ortiz, ambos de 13 anos. Os adolescentes foram atingidos por bala perdida durante uma ação criminosa que, segundo a investigação, tinha como alvo Pedro Henrique Silva Rodrigues, que sobreviveu após ser baleado na perna.

João Vitor é acusado de ser o autor dos disparos que atingiram os adolescentes, utilizando uma pistola calibre 9mm. No entanto, durante o julgamento, ele negou possuir arma de fogo do tipo. 

Vitor relatou ainda que, desde o crime, está preso e não recebe visita da mãe. “Dois anos pagando por uma coisa que não fiz… que não me julguem pelas tatuagens”, disse. Segundo o acusado, a mãe nunca foi visitá-lo por estar com depressão.

O JD1 acompanhou parte da sessão plenária de julgamento, que ocorre na 2ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Aluizio Pereira dos Santos. Durante a audiência, os pais de Silas Ortiz relataram o pedido por “justiça”, bastante abalados com toda a situação.

“A gente esperou tanto por justiça, já vai fazer dois anos. Estamos nessa expectativa, então eu espero que ele seja condenado pelos atos que cometeu… a vida do meu filho é preciosa”, disse a mãe, bastante abalada.

No julgamento, estiveram presentes apenas os pais de Silas. Já em relação à família de Aysla Carolina, não havia familiares acompanhando a sessão. O caso está em sua segunda fase de julgamento, após a realização da primeira etapa, ocorrida em 5 de novembro de 2025, quando outros réus já foram julgados e condenados no processo.

Entre os condenados pelo júri estão:

- Kleverton Bibiano Apolinário da Silva, apontado como mandante do crime, teria orquestrado o ataque de dentro do sistema prisional. Ele foi condenado a 14 anos de reclusão, referente à tentativa de homicídio de Pedro Henrique.

- Nicollas Inácio Souza da Silva, identificado como o piloto da motocicleta de onde partiram os disparos, confessou participação durante depoimento à polícia. Ele foi condenado a 43 anos e 20 dias de reclusão, incluindo penas por homicídios, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

- Rafael Mendes de Souza, acusado de dar apoio logístico ao grupo, teria fornecido a motocicleta utilizada no ataque e sua residência como ponto de planejamento. Ele foi condenado a 11 anos de reclusão, por crimes como tentativa de homicídio, receptação e posse irregular de arma de fogo.

- Já George Edilton Dantas Gomes, motorista de aplicativo apontado como responsável por auxiliar na fuga de três acusados após o crime, foi absolvido. Ele estava preso desde o ocorrido e, com a decisão, o juiz presidente Aluizio Pereira dos Santos determinou sua soltura.

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