A onça-pintada desempenha um papel ecológico fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas, protegendo a biodiversidade, as águas e as florestas, além de garantir a sobrevivência das espécies que coexistem com ela e de seus habitats associados. O felino está presente em 18 países da América, mas nos últimos 100 anos sua população foi reduzida quase pela metade. De acordo com o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, do ICMBio, a espécie é considerada quase ameaçada. Ainda, de acordo com o Programa Felinos Pantaneiros, estima-se que, no Pantanal, existem 12,4 onças-pintadas por 100 km2.
Por isso, desde 2019, a ISA CTEEP, líder no setor de transmissão de energia do País, desenvolve o Programa Conexão Jaguar, que visa à conservação da biodiversidade; à mitigação das mudanças do clima por meio da implementação de projetos florestais em áreas prioritárias para proteção, recuperação e conexão do habitat e corredores da onça-pintada; e ao desenvolvimento das comunidades.
“Recentemente, fomos reconhecidos como uma empresa carbono neutro pelo Instituto Colombiano de Normas Técnicas e Certificação (Icontec), nos escopos 1 e 2, o que demonstra que estamos no caminho certo com as iniciativas dentro de casa, como as ações de ecoeficiência para o uso responsável de recursos naturais em nossas operações. O Programa Conexão Jaguar é a forma que encontramos de transcender as nossas operações e potencializar a geração de valor sustentável para o país”, diz Ana Carolina David, gerente de comunicação, sustentabilidade e relações institucionais da ISA CTEEP.
A área protegida com o apoio do Programa é de mais de 135 mil hectares, está localizada no município de Corumbá (MS), forma um corredor de biodiversidade para a onça-pintada e outras dezenas de espécies animais e equivale a cerca de 135 mil campos de futebol, compondo assim o primeiro projeto REDD+ com emissão de créditos de carbono no Pantanal. A gestão da área protegida é realizada pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), responsável pela execução do projeto.
"É um fato inédito, por isso a honra de convidar o Governador Eduardo Riedel, para fazer esse anúncio. Porque representa, antes de mais nada, o primeiro projeto em áreas úmidas do mundo, e também nasce dentro de uma reserva particular do patrimônio natural e tem como bandeira a onça-pintada. Ou seja, ela passa a ter valor na paisagem, que pode alcançar muitas pessoas que antes estavam matando, agora parem para pensar sobre isso", destacou Geovani Tonolli.

De acordo com o próprio IHP, o Brasil abriga a maior população de onça-pintada do mundo, principalmente, na Amazônia e no Pantanal. “Essa área representa um corredor para a biodiversidade onde há centenas de espécies de mamíferos, de aves e de répteis. Com esse projeto, nós ampliamos a proteção a um sítio do Patrimônio Natural da Humanidade. Além do benefício ambiental, o Programa Conexão Jaguar permite uma revolução econômica no local, à medida que contribui para o desenvolvimento das comunidades pantaneiras. Essa é uma iniciativa privada que caminha ao encontro da necessidade humana sob os aspectos ambiental e social”, explicou o presidente do IHP, Coronel Ângelo Rabelo.
Pioneirismo e marco histórico

O Programa Conexão Jaguar, desenvolvido pela ISA e suas empresas, é responsável pelo financiamento e apoio técnico deste primeiro projeto REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) certificado no Pantanal pela Verra. A certificação de créditos de carbono contou com o apoio dos aliados técnicos da ISA CTEEP, South Pole e Panthera, dois líderes mundiais no combate às mudanças climáticas e no fomento da sustentabilidade, dedicados ao mercado voluntário de créditos de carbono e à conservação de grandes felinos, respectivamente.
Abaixo, conheça quais são os impactos esperados até o fim do projeto:
- Proteger e conservar uma área florestal de alto risco de forma permanente para viabilizar um refúgio natural para a onça-pintada, ariranha, tamanduá-bandeira, tatu-canastra e anta, espécies consideradas em extinção, em risco ou que são guarda-chuva;
- Evitar o desmatamento não planejado e aumentar a funcionalidade do bioma;
- Aumentar a quantidade de carbono sequestrado na vegetação nativa permanente, por meio de maiores áreas de reservas, aplicação de tecnologias, outros usos de solo, dentre outras iniciativas;
- Reforçar a governança local e a gestão de áreas protegidas, por meio da participação ativa das comunidades no entorno, que até hoje retiram do ambiente o seu sustento, sem comprometer os recursos naturais de forma permanente.
O REDD+ atende aos critérios do Nível Ouro GL3 - Benefícios Excepcionais à Biodiversidade.
Chamada para novos projetos
Interessados em fazer parte do Programa Conexão Jaguar podem cadastrar seus projetos florestais em https://conexionjaguar.org/pt-br/faca-parte/. As iniciativas selecionadas receberão apoio técnico e financeiro para emitir e comercializar créditos de carbono com os mais elevados padrões internacionais (VCS + CCB e Gold Standard), além de apoio técnico para conhecer o estado de conservação das espécies de médios e grandes vertebrados que habitam na área do projeto.
Atualmente, o Programa apoia nove iniciativas na Colômbia, Brasil, Peru e Chile, que somam uma redução potencial de mais de 7 milhões de toneladas de CO2 em mais de 828 mil hectares de floresta e com 188 espécies de fauna registradas por meio de armadilhas fotográficas, algumas em algum grado de ameaça, como o jaguar e a arara.
O projeto teve acompanhamento e assessoria da Secretaria de Produção. Segundo o titular da pasta, Jaime Verruck, o Estado esteve presente em todas as fases do projeto, fazendo os levantamentos necessários.
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Pantanal (Foto: Haroldo Palo Jr.)



