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Os fatos - Saiba por que a operação no DETRAN aconteceu

Transferências bancárias, grampos, dispensa de licitação,endereços comuns são alguns motivos

29 agosto 2017 - 20h08Da redação

Inúmeras transferências bancárias, identificadas a partir da empresa Digithobrasil - nome Fantasia DIGIX -, deram o mote para que o juiz Mario Esbalqueiro Junior decretasse nesta terça-feira (29)  nove prisões preventivas, três prisões temporárias e vinte e um  mandados de busca e apreensões. Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

O juiz Esbalqueiro relata a partir das investigações um esquema de seguidas transferências bancarias a partir da Digix em favor de diversos beneficiários.

Segundo fontes que participaram da apuração dos fatos, a constatação nasceu de uma comunicação do COAF, contida no oficio reservado de numero 24953 - COAF/MF, que deram base a investigação 005/2015.

No período de 1/1/2013 até 31/3/2015 , a Digix recebeu do governo de MS a quantia de R$ 128,47 milhões , e registrou movimentações  bancarias de R$ 343 milhões. Segundo o que foi relatado à justiça, boa parte não ficou com a empresa. Além disso, um grupo de empresas que podem ser definidas como "irmãs" nasceram em um mesmo endereço, o numero 271 da Spipe Calarge, sede do escritório político a época, de Ary Rigo. A investigação ainda captou uma série de intersecções com empresas denunciadas na operação “Lama Asfaltíca ", como as Gráficas Alvorada e Jafar.

Aí começa a se embasar as conclusões  que houve lavagem de dinheiro e acabaram com as prisões e mandados de hoje. Eis alguns elementos contra os arrolados nos eventos de hoje:

1) Jonas Schimidt - Consta na investigação que Jonas recebeu R$3,28 milhões da própria empresa a Digithobrasil (Digix), o fato é citado, mas  não a uma denúncia especifica, contra isso. Sua empresa a DIgitho, comporia um grupo que trocava transferências bancarias entre si, aparentemente sem uma justificativa de origem.

2)Claudio Martins Romulo – Caiu por dois áudios, que segundo a investigação comprovam que repassava dinheiro a funcionários públicos , em um desses casos uma servidora recebia da Sanesul  R$ 2 mil mensais.

3) Sueli Almoas Ferreira  - Sócia diretora  da Digithobrasil, mantinha contatos com o ex-deputado Ary Rigo e consta também como administradora das empresas A3A e M3M, também do grupo Digithobrasil (Digix). Sueli recebeu no período levantado R$ 5,97 milhões da própria empresa, o que na peça é apontado como indicio.  Nessa parte, três áudios entre ela e Ary Rigo   comprovariam articulação em favor de interesses da empresa.

4) Ary Rigo – Sua participação na Operação Uragano, que já caducou, é lembrada na acusação, bem como o fato de empresas terem nascido tendo como base seu escritório político. Transferências de dinheiro de Jonas Schimidt para o ex-deputado justificam sua detenção provisória.

5) A3A Informática – Recebeu da Digithobrasil, R$ 131 mil e repassou para a Digithobrasil na mão inversa, R$429,6.Uma redução de capital, para em favor de Sueli Almoas também foi vista como indicio.

6)M3M – O sentenciamento  ressalta que a M3M já teve como um dos sócios João Roberto Baird, “investigado na Lama Asfaltica” fato grifado na decisão. Recebeu R$ 3,2 milhões no período investigado, fatos que “aconteciam até quatro vezes por mês”. Na mão inversa  a M3M pagou a Digithobrasil, R$ 617,5 mil.

7) Produtora Casa Brasil – Recebeu R$865 mil da Digithobrasil, entre 8/8/2014 e 17/10/2014.
8) Recebeu da Digithobrasil R$ 94,14 entre fevereiro e maio de 2015. Um fato estranho, a empresa  tem como aparente agravante ter “feito doação ao candidato Edson Giroto “ ,investigado na lama asfaltica. Doação legal é ilegal?

9)Pirâmide Central informática e Pirâmide Contabilidade -  Alterou seu objeto social dias antes de ser contratada pelo DETRAN em 18/4/2016, com dispensa de licitação, cujo contrato foi suspenso pelo TCE – MS. Recebeu da Digithobrsil em 18/4/2016 R$ 800 mil;  e em  9/8/2016 ,R$ 400 mil. A acusação contra Pirâmide é ampla, e terá matéria própria ampla e detalhada amanhã.

10) Fernando Daga – Era funcionário do Detran/MS e da Pirâmide Informática paralelamente, e mantinha contato com outros membros do grupo.

11) Luiz Alberto de Oliveira Azevedo –Funcionário público estadual com cargos de assessoria na Secretaria de Governo (SEGOV) e de analista de sistema na Secretária de Fazenda (SEFAZ). Foi encontrado indício de que é uma espécie de sócio oculto da empresa Pirâmide Informática Ltda.

12)  José Sérgio de Paiva Júnior e Parajara Moraes Alves Júnior – funcionário do TCE (Tribunal de Contas do Estado) foram flagrados em escuta telefônica discutindo assuntos de interesse da Pirâmide Informática Ltda.

13) Gerson Claro Dino; Donizete Aparecido da Silva; Érico Mendonça;  Celso Braz de Oliveira; e Gerson Tomi – Servidores do Detran/MS  segundo as investigações estavam  articulando  a contratação, em tese ” fraudulenta”, da empresa  Pirâmide Informática Ltda. Conversas telefônicas interceptadas demonstrariam o objetivo comum, segundo grampos que constam na investigação.

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