Inúmeras transferências bancárias, identificadas a partir da empresa Digithobrasil - nome Fantasia DIGIX -, deram o mote para que o juiz Mario Esbalqueiro Junior decretasse nesta terça-feira (29) nove prisões preventivas, três prisões temporárias e vinte e um mandados de busca e apreensões. Os mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
O juiz Esbalqueiro relata a partir das investigações um esquema de seguidas transferências bancarias a partir da Digix em favor de diversos beneficiários.
Segundo fontes que participaram da apuração dos fatos, a constatação nasceu de uma comunicação do COAF, contida no oficio reservado de numero 24953 - COAF/MF, que deram base a investigação 005/2015.
No período de 1/1/2013 até 31/3/2015 , a Digix recebeu do governo de MS a quantia de R$ 128,47 milhões , e registrou movimentações bancarias de R$ 343 milhões. Segundo o que foi relatado à justiça, boa parte não ficou com a empresa. Além disso, um grupo de empresas que podem ser definidas como "irmãs" nasceram em um mesmo endereço, o numero 271 da Spipe Calarge, sede do escritório político a época, de Ary Rigo. A investigação ainda captou uma série de intersecções com empresas denunciadas na operação “Lama Asfaltíca ", como as Gráficas Alvorada e Jafar.
Aí começa a se embasar as conclusões que houve lavagem de dinheiro e acabaram com as prisões e mandados de hoje. Eis alguns elementos contra os arrolados nos eventos de hoje:
1) Jonas Schimidt - Consta na investigação que Jonas recebeu R$3,28 milhões da própria empresa a Digithobrasil (Digix), o fato é citado, mas não a uma denúncia especifica, contra isso. Sua empresa a DIgitho, comporia um grupo que trocava transferências bancarias entre si, aparentemente sem uma justificativa de origem.
2)Claudio Martins Romulo – Caiu por dois áudios, que segundo a investigação comprovam que repassava dinheiro a funcionários públicos , em um desses casos uma servidora recebia da Sanesul R$ 2 mil mensais.
3) Sueli Almoas Ferreira - Sócia diretora da Digithobrasil, mantinha contatos com o ex-deputado Ary Rigo e consta também como administradora das empresas A3A e M3M, também do grupo Digithobrasil (Digix). Sueli recebeu no período levantado R$ 5,97 milhões da própria empresa, o que na peça é apontado como indicio. Nessa parte, três áudios entre ela e Ary Rigo comprovariam articulação em favor de interesses da empresa.
4) Ary Rigo – Sua participação na Operação Uragano, que já caducou, é lembrada na acusação, bem como o fato de empresas terem nascido tendo como base seu escritório político. Transferências de dinheiro de Jonas Schimidt para o ex-deputado justificam sua detenção provisória.
5) A3A Informática – Recebeu da Digithobrasil, R$ 131 mil e repassou para a Digithobrasil na mão inversa, R$429,6.Uma redução de capital, para em favor de Sueli Almoas também foi vista como indicio.
6)M3M – O sentenciamento ressalta que a M3M já teve como um dos sócios João Roberto Baird, “investigado na Lama Asfaltica” fato grifado na decisão. Recebeu R$ 3,2 milhões no período investigado, fatos que “aconteciam até quatro vezes por mês”. Na mão inversa a M3M pagou a Digithobrasil, R$ 617,5 mil.
7) Produtora Casa Brasil – Recebeu R$865 mil da Digithobrasil, entre 8/8/2014 e 17/10/2014.
8) Recebeu da Digithobrasil R$ 94,14 entre fevereiro e maio de 2015. Um fato estranho, a empresa tem como aparente agravante ter “feito doação ao candidato Edson Giroto “ ,investigado na lama asfaltica. Doação legal é ilegal?
9)Pirâmide Central informática e Pirâmide Contabilidade - Alterou seu objeto social dias antes de ser contratada pelo DETRAN em 18/4/2016, com dispensa de licitação, cujo contrato foi suspenso pelo TCE – MS. Recebeu da Digithobrsil em 18/4/2016 R$ 800 mil; e em 9/8/2016 ,R$ 400 mil. A acusação contra Pirâmide é ampla, e terá matéria própria ampla e detalhada amanhã.
10) Fernando Daga – Era funcionário do Detran/MS e da Pirâmide Informática paralelamente, e mantinha contato com outros membros do grupo.
11) Luiz Alberto de Oliveira Azevedo –Funcionário público estadual com cargos de assessoria na Secretaria de Governo (SEGOV) e de analista de sistema na Secretária de Fazenda (SEFAZ). Foi encontrado indício de que é uma espécie de sócio oculto da empresa Pirâmide Informática Ltda.
12) José Sérgio de Paiva Júnior e Parajara Moraes Alves Júnior – funcionário do TCE (Tribunal de Contas do Estado) foram flagrados em escuta telefônica discutindo assuntos de interesse da Pirâmide Informática Ltda.
13) Gerson Claro Dino; Donizete Aparecido da Silva; Érico Mendonça; Celso Braz de Oliveira; e Gerson Tomi – Servidores do Detran/MS segundo as investigações estavam articulando a contratação, em tese ” fraudulenta”, da empresa Pirâmide Informática Ltda. Conversas telefônicas interceptadas demonstrariam o objetivo comum, segundo grampos que constam na investigação.
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