Sem data para terminar, a greve do bancários chega a terceira semana com denúncias de práticas antissindicais e assédio por parte dos bancos. Nesta terça-feira, dia 20, o banco Itaú teria determinando que funcionários atendessem clientes nas agências fora do horário de expediente, descumprindo a lei de segurança bancária.
Dirigentes sindicais foram até uma agência e constataram tal irregularidade. “Presenciamos que o gerente estava na unidade à noite com dois clientes e sem vigilante. Tal situação coloca em risco a vida do próprio bancário como a dos clientes, já que estão expostos e podem ser assaltados”, disse o presidente do sindicato, Edvaldo Barros. Segundo o presidente, ao ser questionado, o funcionário informou que a orientação tinha sido da própria instituição, através da inspetoria do banco.
A Lei nº 7.102/83 veda o funcionamento de qualquer estabelecimento financeiro sem vigilante. Como a fiscalização desta legislação cabe a Polícia Federal, o sindicato protocolou a denúncia no órgão para que providências sejam tomadas. De acordo com o advogado do sindicato, Alexandre Cantero, o banco pode ser punido com advertência, multa ou até a interdição do estabelecimento.
Segundo o secretário jurídico do sindicato, Orlando Almeida, a greve é legítima, um direito garantido pela Constituição. “Nenhum bancário pode ser forçado a voltar ao trabalho. É um absurdo essa situação. Além de ser uma prática antissindical e de assédio do banco, mostra que a instituição não se importa com a vida do funcionário. Como entidade que representa os bancários, não podemos deixar que essa situação se repita”, completou Orlando.
Após oito rodadas de reuniões, os bancos insistem em um reajuste de 7%, índice abaixo da inflação, mesmo com lucros de R$ 30 bilhões no primeiro semestre deste ano. A categoria reivindica 14,78%, sendo que apenas 5% é ganho real.
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