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Opinião

A revolução da educação do futuro

23 maio 2017 - 10h32Walter Schalka

Dizer que o futuro do Brasil depende da qualidade do ensino oferecido pelas escolas distribuídas pelo País é tão óbvio quanto dizer que a educação de nossas crianças deveria ser uma prioridade para cada família brasileira. Encontrar o caminho para alcançarmos esse novo patamar de qualidade, contudo, é uma tarefa árdua e que, ao meu ver, depende do uso de tecnologia digital em larga escala e da educação em período integral, aliados a uma nova maneira de ensinar e avaliar nossos alunos e à construção de uma base curricular que promova a formação integral dos estudantes.

Diante do atual déficit educacional, não cabe apostarmos em alternativas que mirem apenas avanços em relação ao atual modelo tradicional de ensino. Precisamos dar um salto a um modelo inovador que nos permitiria colocar o País em uma nova rota de desenvolvimento.

O que une as escolas mais inovadoras do mundo é o desenvolvimento de um modo diferente de perceber o papel do aluno e do professor, associado ao suporte de recursos tecnológicos a partir dos quais os alunos têm acesso a professores de excelência no conhecimento e na didática. Imagine se o seu filho pudesse ser educado pelo melhor professor de matemática, em vídeo, e, na sequência, colocasse o conhecimento à prova em jogos didáticos. O jogo identificaria, por inteligência cognitiva, a necessidade de refazer determinada aula ou aprovaria a sequência do conteúdo pedagógico.

O aprendizado se tornaria mais eficiente e o período na escola mais impactante, o que ajudaria a sustentar um modelo de aulas integrais, com professores voltados à resolução de dúvidas e ao atendimento de questões pontuais, além do estímulo ao desenvolvimento de habilidades cognitivas mais avançadas, sociais e emocionais. A extensa bibliografia sobre o tema e exemplos práticos já conhecidos mostram que há uma forte correlação entre qualidade do ensino e educação em tempo integral.

Este é um modelo, mas não a solução única para promovermos uma revolução na educação. Há quem proponha um formato de ensino menos sustentado em tecnologia, mas igualmente viabilizado por uma estrutura de baixo custo de manutenção. Em comum, as duas propostas são baseadas na convicção de que é possível oferecer ensino de qualidade a um número maior de crianças.

A intensificação desse movimento se daria pelo que chamo de universalização da escola de baixo custo e ensino de qualidade. Esta proposta já existe e pode ajudar a iniciar um movimento de mudança na educação privada brasileira. Vemos como exemplo a Vereda Educação, que está criando uma rede de escolas com o objetivo de democratizar o ensino de qualidade, não apenas para famílias das classes C e D que possam investir determinada quantia em uma educação de qualidade, mas também para todos aqueles que queiram ter acesso a um ensino diferenciado.

Projetos dessa natureza são justificados pela certeza de que nenhuma democracia no mundo conseguiu se consolidar sem educação básica de qualidade. E vemos com tristeza o cenário no qual se encontra grande parte das escolas públicas, responsáveis por mais de 80% das matrículas declaradas em 2016. Resta a esperança de que o ensino privado de qualidade, com custos compatíveis com a realidade da maioria das famílias brasileiras, possa inspirar novos olhares e novas possibilidades para a educação do País, inclusive nas escolas públicas.

As experiências que ganham formas em outros países, ainda discretas no Brasil, mostram que a revolução da educação do futuro já existe e não é restrita às grandes potências. Em 2015, a “The Economist” já mencionava casos como o Quênia, onde ganha espaço um modelo educacional sustentado em escolas privadas de baixo custo. Há também experiências interessantes em países como Índia e Peru.

Vemos crescer também ações como a parceria entre o Google.org, braço filantrópico do Google, e a Fundação Lemann, no lançamento de uma plataforma digital. A iniciativa, que terá ainda o envolvimento da Associação Nova Escola, oferecerá planos de aulas digitais e materiais que ajudarão professores a desenvolverem planos de ensino. O uso de softwares já é uma realidade em escolas públicas assistidas pela associação Parceiros da Educação, à qual sou mais do que um participante, um entusiasta.

O mesmo entusiasmo que move o Instituto Ecofuturo e seus parceiros na construção e manutenção de 107 bibliotecas espalhadas pelo País, que estimula os envolvidos no projeto da Vereda ou que une aqueles que buscam alternativas de democratizar o ensino de qualidade, seja público ou privado, no Brasil ou no Quênia.

Não podemos deixar para amanhã o que devemos fazer hoje. É preciso rever o modelo tradicional de ensino brasileiro e iniciar a revolução da educação do futuro. Esta é a única maneira sustentável e exequível de promovermos o desenvolvimento que tanto desejamos para o nosso País.

 

(*) Walter Schalka é presidente na Suzano Papel e Celulose

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