De um lado, o mercado consumidor cresce e aumenta o espaço para novas marcas, especialmente as voltadas a produtos e serviços de custo mais acessÃvel. De outro, há também cada vez mais espaço para os franqueadores da chamada nova classe média.
Segundo o Sebrae, enquanto as classes A e B são responsáveis por 38% dos investimentos em franquias, a classe C já é responsável por 55% do capital injetado em novos negócios nesse mercado. Um potencial e tanto, que não pode ser ignorado.
Um dos grandes facilitadores para o aumento da participação da classe C no mercado de franchising é a modalidade de microfranquias. Com investimentos entre 10 e 80 mil reais, o modelo facilita a entrada de investidores com poder aquisitivo mais baixo.
Hoje, o mercado conta com 368 microfranquias, que representam 12,8% do faturamento de 115 bilhões de reais do setor, segundo a ABF - Associação Brasileira de Franchising. Essa modalidade já representa 15,8% do total de redes no paÃs.
O fenômeno é recente e bastante atual. Em 2013, as microfranquias viram o seu faturamento crescer 22%, quase o dobro do crescimento geral do mercado de franquias, que ficou em 11,9%. A tendência é que, em 2014, esse segmento continue em expansão, impulsionado principalmente pela força da nova classe média brasileira.
Algumas áreas são mais procuradas por esses empreendedores. Os ramos de estética e serviços, como lavagem de carros, jardinagem e depilação estão entre elas. Como esses nichos requerem pouco ou nenhum investimento em infraestrutura, o desembolso inicial acaba sendo menor e o interesse, maior.
Entretanto, o futuro microfranqueado deve ficar atento: a taxa de mortalidade das microfranquias é maior que as franquias tradicionais. As redes de microfranquia tendem a crescer mais rapidamente do que as redes tradicionais e isso nem sempre acontece pelo fato do negócio ser muito bom. Muitas vezes, a microfranquia é a única opção que cabe no bolso da maior parte dos interessados em tornarem-se franqueados. Normalmente, o modelo da rede de microfranquias é baseado no baixo custo, portanto, é importante entender qual tipo de suporte o franqueado receberá e como ele será feito.
Da mesma forma, o futuro franqueado deve ter afinidade com o negócio pois de nada adianta possuir capital para comprar uma franquia, se o mesmo não tem afinidade com a atividade que irá exercer. Na microfranquia, normalmente o franqueado tem papel central não só no gerenciamento do negócio mas também na execução.
Entretanto, vale ressaltar que a participação desse segmento econômico da população no setor de franquias não se restringe só às microfranquias. Com acesso ao crédito financeiro facilitado e, constituindo sociedade com amigos ou parentes, eles tendem cada vez mais a investir em negócios de investimento inicial maior, mas com lucros mais robustos e maiores chances de crescimento no mercado. Com isso, todo o mercado de franquia ganha e também o consumidor, que certamente valoriza bom atendimento e bons produtos e serviços.
Diego Simioni - administrador de empresas e sócio-fundador da GOAKIRA, consultoria empresarial especializada em franquias.Reportar Erro
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