A abertura da janela partidária começou a movimentar o xadrez político em Mato Grosso do Sul. O primeiro lance foi do deputado João Henrique Catan, que anunciou na Assembleia sua saída do PL para se filiar ao Novo e disputar o governo do Estado.
A decisão abriu oficialmente o período de trocas partidárias e começou a clarear o cenário eleitoral de 2026. Até 3 de abril, deputados estaduais e federais podem mudar de partido sem risco de perder o mandato. Nos bastidores, calcula-se que cerca de metade da Assembleia avalia trocar de legenda, numa busca pragmática por melhores condições eleitorais. Em política, a fidelidade ideológica costuma pesar menos que a viabilidade nas urnas.
O PSDB, que tenta se reorganizar nacionalmente, deve perder força em Mato Grosso do Sul. Permanecem Lia Nogueira e Pedro Caravina, mas Mara Caseiro, Zé Teixeira e Paulo Corrêa tendem a acompanhar Reinaldo Azambuja, hoje presidente estadual do PL. No MDB, Márcio Fernandes deve migrar para o PL e Renato Câmara ainda avalia seu destino. Rinaldo Modesto deve ir para o União Brasil, presidido no Estado por Rose Modesto. Também estão em compasso de espera Jamilson Name, Paulo Duarte e Pedrossian Neto, observando os movimentos de Reinaldo Azambuja e do governador Eduardo Riedel.
No campo da esquerda, a principal novidade foi a ida do ex-prefeito Marquinhos Trad para o PV, agora como pré-candidato a deputado federal.
A lógica da janela partidária é simples: mais do que ideologia, o que move os parlamentares é viabilidade eleitoral, acesso ao fundo partidário e estrutura de campanha. No sistema proporcional brasileiro, o voto é personalista, e o partido funciona sobretudo como plataforma para a disputa.
Por isso, a janela partidária revela menos convicções e mais estratégias de sobrevivência política. E, a cada troca de legenda, o tabuleiro eleitoral de 2026 vai ganhando novas peças e posições.
*Bosco Martins é escritor e jornalista
Deixe seu Comentário
Leia Também

Mandato, Representatividade e Disciplina Partidária: A Função Sistêmica da Janela Partidária

OAB/MS contesta decisão do TJMG e pede revisão em instâncias superiores

Carnaval como gramática histórica da cultura popular: pertencimento, memória e a construção do povo

Dino vota por afastar Lei da Anistia para crimes permanentes

Sílvio Santos, Collor e Bolsonaro: decisões eleitorais e a construção da democracia brasileira

OPINIÃO: CPF à luz do dia: esconder dados enfraquece a democracia

OPINIÃO: IA e as eleições

Bosco Martins, escritor e jornalista (Reprodução)



