Em depoimento à Polícia Civil após o crime, o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, que está preso preventivamente, afirmou que o imóvel onde ocorreu a morte do empresário, Roberto Carlos Mazzini, era alvo de uma ação judicial movida por ele contra a Caixa Econômica Federal.
"Eu entrei com a ação para anular a execução extrajudicial, porque não fui intimado de nada. Nem para purgar a mora, nem da data do leilão, nem do arremate", declarou.
O imóvel que está no centro da disputa havia sido leiloado pela Caixa e adquirido por Mazzini. A defesa do ex-prefeito sustenta que não houve comunicação legal da perda da propriedade.
Segundo Bernal, a casa foi parcialmente quitada ao longo dos anos e a cobrança feita pela instituição financeira seria indevida. "Eu já paguei o valor daquela casa. Paguei por 10, 15 anos", disse.
Ele sustenta que, por não ter sido notificado formalmente, a posse do imóvel ainda era sua e que a entrada de terceiros caracterizaria invasão. "Tinha que ter um oficial de justiça com mandado de emissão na posse", afirmou. Segundo ele, já haviam sido registrados três boletins de ocorrência na 1ª DP por invasão e desaparecimento de bens dessa propriedade.
O ex-prefeito também confirmou que utilizou uma arma registrada. "Eu tenho o porte, tenho o registro. Essa arma foi adquirida em 2013", disse, ao explicar que se trata de um revólver calibre 38.
Apesar da versão, a reportagem apurou que Bernal não morava há anos no imóvel da Avenida Antônio Maria Coelho. Vizinhos relataram que ele viveu por décadas em uma casa no Jardim Paulista, endereço para o qual havia retornado nos últimos anos.
Moradores disseram ter ficado assustados com o caso, já que Bernal era conhecido na região onde viveu por boa parte da vida.
Bernal foi preso em flagrante na terça-feira (24), após atirar contra o empresário e permanecerá em cela especial no Presídio Militar por ser advogado. Durante audiência de custódia, o juiz Ronaldo Gonçalves Onofri decretou sua prisão preventiva nesta quarta (25). A defesa informou que entrará com pedido de habeas corpus ainda hoje.
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Polícia Civil e Perícia no local do crime (Rogério valim)


