Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou "grave preocupação" com alguns retrocessos no campo da ética e do cuidado com os pobres. A Carta de Ano-Novo de lideranças católicas foi publicada na última segunda-feira (29).
Sobre a democracia no país, a entidade afirma que o ano de 2025 foi marcado por "profundas tensões e retrocessos sociais" que fragilizaram a confiança nas instituições.
“No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social. Algumas experiências fragilizaram seriamente a confiança nas instituições e desafiaram as pessoas de boa vontade, que acreditam numa sociedade mais justa e fraterna”, diz a mensagem.
Para a entidade, a democracia é um "patrimônio do povo brasileiro" que exige cuidado, diálogo e respeito aos freios e contrapesos institucionais.
“A democracia, com sua exigência de diálogo, suas instituições, seus freios e contrapesos, é patrimônio do povo brasileiro e precisa de cuidado e promoção. Embora imperfeita, ela é terreno fértil onde a justiça e a verdade podem se abraçar (cf. Sl 85,10) e florescer.”
A entidade defende que a nação deve reencontrar o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo.
Desafios à ética
O balanço crítico de 2025 dos bispos brasileiros aponta que a convivência democrática foi prejudicada por interesses econômicos e disputas de poder que enfraqueceram mecanismos essenciais de controle.
Entre os pontos citados pela Igreja, destacam-se:
Conduta de autoridades: o texto denuncia "a perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades, especialmente do nosso Congresso Nacional”.
Enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção na vida pública;
Fragilização dos mecanismos democráticos, por causa de interesses econômicos e disputas de poder;
Flexibilização de marcos legais: a CNBB critica as mudanças na Lei da Ficha Limpa e na Lei Geral do Licenciamento Ambiental;
Ameaças à proteção ambiental e aos povos originários e tradicionais, neste último caso, com a aprovação do marco temporal no Congresso Nacional;
Violência e intolerância: a mensagem condena o discurso de ódio, a manipulação da verdade e o aumento, especialmente, de crimes como o feminicídio;
Pagamento de juros e amortizações da dívida: deixa o país sem capacidade de maior investimento em áreas como educação, saúde, moradia e segurança;
Desigualdade social, que continua marginalizando muitos;
Uso de drogas e o crescimento de “economias ilícitas”.
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