A saúde pública municipal de Campo Grande recebeu ontem a visita de supervisores do Ministério da Saúde. O alvo da fiscalização foi o Samu 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
O resultado, segundo servidores, foi imediato — e claramente artificial. Para quem vive a rotina do Samu, a visita do Ministério da Saúde operou verdadeiros “milagres de ocasião”. Entre os trabalhadores, a situação foi definida como “operação maquiagem”.
“É maquiagem. Depois que a fiscalização vai embora, tudo volta a ser como antes”, afirmou um servidor do Samu, sob condição de anonimato, por temer perseguição e até demissão, mesmo atuando em um serviço essencial à população.
De acordo com as denúncias, a coordenação do Samu determinou que nenhuma viatura poderia ficar parada durante a fiscalização, mesmo aquelas que normalmente apresentam problemas mecânicos, operam de forma limitada ou sequer rodam no dia a dia.
A ordem, segundo os relatos, foi taxativa e inquestionável, todas as ambulâncias devem estar nas ruas, custe o que custar, independentemente de falhas mecânicas ou limitações operacionais, com o único objetivo de encenar um funcionamento pleno do serviço diante dos fiscais do Ministério da Saúde.
Prefeitura faz anúncio positivo
Não demorou para que a gestão municipal também se movimentasse no campo da comunicação. Ainda ontem, a prefeitura divulgou material institucional com o título: “Samu passa a operar com novo conjunto de ambulâncias”.
No entanto, a publicação não menciona que a entrada das viaturas em operação ocorreu em meio à fiscalização do Ministério da Saúde. No texto divulgado pela prefeitura, a gestão afirma que colocou em operação um novo conjunto de ambulâncias do Samu, que já estariam circulando pela cidade.
Segundo a administração municipal, a medida fortalece o atendimento às ocorrências de urgência e emergência. A prefeitura ainda informa que o Samu em Campo Grande conta com ambulâncias em diferentes regiões da cidade, além de uma unidade em Anhanduí e uma equipe de motolância.
Diz também que a ativação das viaturas segue critérios técnicos e operacionais estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Das seis ambulâncias recebidas, conforme a versão oficial, cinco teriam sido incorporadas à frota para renovação de veículos em uso, e uma passou a integrar a Base Centro, ampliando as equipes em operação.
Bastidores
Nos bastidores, porém, o clima entre os servidores é de desconfiança e preocupação. Para eles, a pergunta que fica é até quando esse “milagre” vai durar e mais, para o interno do Samu, “Fica claro que a prefeitura só corre atrás quando corre o risco de se queimar”, relata outro trabalhador do Samu.
Os servidores temem que, passada a fiscalização federal, as ambulâncias voltem a sair de circulação e o serviço retorne à realidade enfrentada diariamente por quem depende do atendimento de urgência em Campo Grande.
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Ambulâncias do Samu 192 (Foto: Bruno Cassiano/MS)


