O uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, que ficaram popularmente conhecidos como ‘canetas emagrecedoras’, tem crescido de maneira exacerbada, principalmente nos últimos meses devido à busca incessante pela diminuição no peso e no combate à obesidade. Em Mato Grosso do Sul, essa realidade atinge também um público e o uso vem sendo frequente.
Pesquisas recentes, principalmente partindo dos Estados Unidos, mostram que a faixa etária mais atingida por essa vontade de perder peso com extrema velocidade está entre os 25 a 64 anos, também um índice de população com maior prevalência de obesidade e comorbidade.
No Brasil, por exemplo, o aumento de pesquisas em busca dos medicamentos aumentou 80% ao longo do último ano, conforme recente levantamento feito pela plataforma Conexa Saúde feito no Google.
O cirurgião bariátrico Wilson Cantero afirmou em entrevista recente ao JD1, que não é contra o uso das canetas emagrecedoras, mas defende um uso mais regulado e orientado, pois o paciente não pode ser confundido com um objeto de ‘ganhar dinheiro’.
Na visão do cirurgião, muitos profissionais prescrevem a medicação sem conhecimento aprofundado sobre obesidade ou mesmo fora de suas áreas de especialidade, visando um nicho de mercado. Ele também tece uma crítica para as pessoas que não possuem o costume de ler as bulas e desconhecem os efeitos colaterais e o tempo de uso.
“Eu sou super a favor, eles são fundamentais para que a gente possa ter qualidade de vida do paciente, mas é a orientação que a gente crítica. É o uso desmensurado, uso errado. A medicina tem que ser de qualidade, porque se a gente entrar no comércio e não visar o paciente, aí não estaremos fazendo medicina, estaremos fazendo comércio, o paciente passa a ser um objeto de ganho de dinheiro”.
Essa falta de conhecimento, tanto por partes de profissionais, quanto pelas pessoas, acaba gerando uma insegurança e problemas futuros, como o ganho de peso, tradicionalmente alarmado como ‘efeito rebote’, que se torna o principal vilão desse processo de uso de canetas emagrecedoras sem um acompanhamento correto. Além disso, a perda prévia de massa magra torna as pessoas "obesas sem músculo", com aumento de gordura visceral, mais inflamatória e prejudicial.
E nisso, existem as consequências de um uso irregular de 'mounjaros e ozempics'. Um deles é tomar o medicamento a noite, o que retarda a digestão, prejudica o sono profundo, desregula os hormônios como o GH - responsável pela lipólise de gordura abdominal - e melatonina, resultando em mais acúmulo de gordura no longo prazo.
Ainda há as complicações comuns, que incluem obstrução intestinal, constipação, problemas de visão - em alguns casos, podem provocar a cegueira -, perda de messa magra e flacidez muscular.
Contudo, há quadros considerados mais graves com o uso desenfreado e não cerceado por um profissional. O JD1 Notícias também procurou uma enfermeira para saber os efeitos colaterais mais graves e a primeira resposta sobre o questionamento foi: pedra na vesícula.
Sara Lima trouxe a explicação de quem já possuí esse problema, a situação pode se agravar ainda mais, causando o emagrecimento rápido. "O esvaziamento na vesícula ocorre lentamente, causando cálculos biliares. E quem já retirou a vesícula biliar, pode ter cálculos nos ductos pancreáticos, causa pancreatite. Uso em excesso faz mal", declara a profissional da saúde.
No entanto, essa não seria a causa mais grave. A insuficiência renal é considerada o efeito colateral mais grave e a consequência disso é porque as pessoas não realizam corretamente a dieta, não fazem o uso moderado e não bebe água o suficiente. "O problema é que tem gente querendo perder 20 quilos em dois meses", pontua.
Mais demanda, mais importação – Em 2025, o Brasil foi responsável por gastar US$ 1,669 bilhão (R$ 9 bilhões na atual cotação) na importação das canetas emagrecedoras. No mais recente dado apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento, a demanda saltou 88% em apenas um ano, muito em razão da não fabricação nacional.
O ‘boom’ desses medicamentos foi tão surpreendente que as importações delas superaram alguns itens tradicionais, como salmão, telefones celulares e até azeite de oliveira, que atingiam volumes bastante consideráveis.
A expectativa, porém, é aumentar ainda mais esse número. Um relatório divulgado pelo Itaú BBA projeta que até 2030, o investimento na importação de medicações como essa devem saltar de US$ 1,8 bilhão para US$ 9 bilhões (R$ 50 bilhões) – o que representaria cinco vezes mais do investimento atual.
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Canetas emagrecedoras podem ser prejudiciais (Matthew Horwood/Getty Images)


