O reaproveitamento de alimentos dentro da CEASA/MS não começou agora. Muito antes de o projeto embrionário ‘MS Nutri’ sair do papel, empresas, instituições sociais e trabalhadores que lidam diariamente com o entra e sai de hortifrutigranjeiros já tinham incorporado a doação à rotina. Produtos fora do padrão comercial, mas ainda próprios para consumo, sempre encontraram destino solidário no entreposto, como mostram os relatos de representantes do setor privado e do terceiro setor.
Na MAPE, a conferente Ana Paula explica que a triagem dos alimentos ocorre dentro da própria empresa, separando aquilo que não segue para o mercado, muitas vezes por apresentar apenas danos externos, como casca ou aparência fora do padrão. Esses produtos, segundo ela, são destinados à doação “desde sempre”, beneficiando atualmente cerca de seis instituições. “A prática, além de evitar o desperdício, garante que alimentos ainda em boas condições cheguem a entidades como asilos, hospitais e organizações assistenciais”. Para Ana Paula, a proposta do MS Nutri surge como um avanço, ao oferecer um espaço estruturado para transformar esses itens em produtos como sopa desidratada, ampliando o alcance social do reaproveitamento.
Na Hortivan, o gestor comercial Humberto da Silva Firmino detalha o impacto operacional e financeiro do descarte. A empresa movimenta mais de 150 mil quilos de mercadorias e, mesmo com doações frequentes, ainda descarta diariamente entre 500 quilos e 2 mil quilos de alimentos. Humberto destaca que o descarte gera custo direto, já que é cobrado por quilo, o que reforça a importância da doação como alternativa econômica e ambiental. Segundo ele, a separação é feita internamente, com verificação e registro, e os produtos aproveitáveis são encaminhados a instituições como o Instituto Gesto do Amor, Instituto Acorrer e entidades religiosas. Para o gestor, o MS Nutri tende a facilitar o processo, centralizando o reaproveitamento e estimulando a participação das empresas.
ONG alimenta comunidade
Do lado das instituições sociais, Nilson Lopes, diretor fundador do Instituto Gesto do Amor, descreve uma operação complexa e contínua de coleta, triagem e distribuição. Há seis anos atuando na CEASA/MS, o instituto atende atualmente mais de duas mil famílias cadastradas, distribuídas em diversos bairros, com pontos que chegam a atender até 400 famílias a cada 15 dias. O trabalho envolve pré-triagem, limpeza, montagem de sacolas e logística diária, sustentado majoritariamente por voluntários. Nilson ressalta que muitas doações deixam de ocorrer por falta de instituições estruturadas e transparentes, o que torna fundamental a credibilidade no processo.
O MS Nutri aparece como uma resposta institucional a uma prática já existente, ao propor estrutura física, beneficiamento e padronização do reaproveitamento. A CEASA/MS segue articulando, ainda no papel a proposta que prevê novo espaço no complexo, com áreas para beneficiamento, atuação de empresas parceiras, doações no local e maior logística para ONGs, ampliando o alcance social.
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