Sob protestos da oposição, os membros da comissão especial da reforma da Previdência começam a votar os destaques ao projeto substitutivo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16). Por votação simbólica e unanimidade, os deputados aprovaram o destaque que pretende retornar as causas ligadas a acidentes de trabalho e aposentadoria por invalidez à competência da Justiça do Trabalho, compartilhada com a Justiça Federal.
Pela proposta do relator, deputado Arthur Maia (PPS-BA), as causas relacionadas a acidentes de trabalho seriam avaliadas somente pela Justiça Federal. E o destaque pede que a redação volte à forma como é hoje, sob a competência da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal nas esferas estaduais.
Os deputados ainda vão analisar nove destaques. A expectativa é que a reunião se estenda até o fim da tarde.
Bate boca
A votação dos destaques começou depois de um longo debate entre os parlamentares sobre a invasão dos agentes penitenciários à comissão na semana passada. Na ocasião, o destaque que inclui os agentes nas regras adotadas para os policiais civis, federais e do Legislativo (com acesso ao benefício da aposentadoria a partir dos 55 anos de idade e 30 de contribuição) foi retirado da pauta, motivando a invasão.
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) criticou o reforço na segurança da sessão de hoje argumentando que o povo não pode ser impedido de entrar no Congresso por causa da ação de poucos manifestantes. O deputado pediu que as grades colocadas em torno do Congresso fossem retiradas, Para Valente, a colocação das grades configura “estado de exceção”.
O presidente da comissão especial, Carlos Marun (PMDB-MS), rebateu as críticas e disse que o trabalho do grupo foi obstruído por uma tentativa de "coerção" aos parlamentares. "O que aconteceu aqui deve ser objeto de repúdio daqueles que defendem a democracia", afirmou.
Deputados da base aliada defenderam a restrição de acesso por causa da limitação de lugares no plenário e consideraram as críticas da oposição “demagogia”. Júlio Lopes (PP-RJ) ressaltou inclusive que, na semana passada, alguns parlamentares incitaram os agentes penitenciários a invadir a sessão.
A afirmação motivou bate-boca entre os parlamentares, que chamaram o deputado Júlio Lopes de “mentiroso”. O presidente Carlos Marun pediu para que não se usassem palavras de caráter ofensivo e defendeu a adoção de medidas “excepcionais” para garantir o direito de voto dos parlamentares.
Antes do início da votação dos destaques, os deputados discutiram ainda a leitura da ata da última reunião, criticando-a por não apresentar de forma detalhada a questão dos agentes penitenciários, o que motivou o tumulto e a interrupção da sessão passada. Marun acatou a sugestão de redigir novamente a ata e votá-la ao final da reunião de hoje.
O PSOL convocou um protesto para o início da tarde contra o fechamento da Casa para o público externo. Os deputados devem sair em caminhada pelo estacionamento da única entrada aberta, em frente ao Anexo 3.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Febraban alerta sobre golpe do falso gerente

Com PEC aprovada, guardas municipais podem ser chamadas de Polícia Municipal

Operação mira agentes da Polícia Civil que blindavam criminosos em delegacias de SP

CPI recorre ao STF contra suspensão da quebra de sigilos de empresa da família Toffoli

Mês da mulher: SUS ganha teleatendimento para mulheres expostas à violência

Brasil pede à OMS inclusão de CID de feminicídio

Ministro André Mendonça dá 'ralo' na PGR após órgão ignorar urgência na prisão de Vorcaro

PF aponta corrupção na saúde de Macapá e ministro do STF afasta prefeito

Projeto que proíbe uso de dinheiro em espécie em transações imobiliárias avança no Senado






