O Brasil segue na contramão dos dados globais de combate à exploração sexual infantil on-line. Enquanto o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) registrou uma queda de 40% nas denúncias globais, que passaram de 36,2 milhões em 2023 para 20,5 milhões em 2024, os números relacionados ao Brasil aumentaram no mesmo período.
De acordo com o NCMEC, o Brasil registrou ao menos 593 mil denúncias de abuso sexual infantil online em 2024, volume superior ao de 2023, quando foram contabilizados 567 mil relatórios. Com isso, o país passou a ocupar a 7ª posição no ranking mundial dos dez países com mais registros desse tipo, lista liderada pela Índia, com cerca de dois milhões de denúncias. As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo e confirmadas pela SaferNet Brasil.
O contraste é significativo. Enquanto o cenário internacional aponta retração no número total de denúncias, o crescimento brasileiro chama a atenção e levanta questionamentos sobre os fatores que contribuem para esse avanço. O diretor-presidente da SaferNet, Thiago Tavares, afirma que a entidade iniciou uma análise preliminar dos dados e destaca que será necessária uma investigação mais aprofundada para compreender as causas do aumento, que pode estar ligado tanto à maior conscientização da população quanto à atuação de grupos on-line.
Os dados do NCMEC têm origem em relatórios enviados por empresas de tecnologia que operam nos Estados Unidos ou possuem presença no país. Plataformas que não mantêm essa relação, como Kwai e Telegram, não entram nessa contabilidade. As empresas identificam imagens ou vídeos de abuso sexual infantil, produzem relatórios e os encaminham ao órgão americano, que centraliza as notificações e as repassa às autoridades nacionais — no caso do Brasil, à Polícia Federal.
Cada notificação, porém, não representa necessariamente um caso único. Um mesmo conteúdo pode gerar múltiplos relatórios, especialmente quando circula em diferentes plataformas. Além disso, o critério para vincular o material ao Brasil é o local de onde o arquivo foi enviado, com base no endereço IP, e não a nacionalidade da vítima.
No âmbito nacional, a SaferNet informou que houve queda nas denúncias recebidas pela ONG em 2024 em relação a 2023, mas ressaltou que isso não indica um ambiente digital mais seguro. Segundo a entidade, parte da redução está relacionada à migração desse tipo de conteúdo para aplicativos de mensagens fechadas, onde a detecção é mais difícil. Em agosto, após a divulgação de um vídeo do influenciador Felca sobre a adultização de crianças nas redes sociais, a ONG registrou um aumento de 114% nas denúncias, evidenciando a subnotificação e a volatilidade dos dados.
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