O Palácio do Planalto prepara uma ofensiva diplomática e comercial para ampliar o alcance do agronegócio brasileiro na Ásia e reduzir a concentração das exportações em poucos compradores. A estratégia será colocada em prática nas próximas viagens internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que buscará abrir novos mercados e diluir riscos diante de barreiras comerciais impostas por grandes economias.
Entre 17 e 24 de fevereiro, Lula visita Índia, com passagem por Nova Délhi, e a Coreia do Sul, onde cumpre agenda em Seul. A viagem ocorre em um contexto de maior cautela do governo brasileiro após medidas protecionistas adotadas por parceiros estratégicos, como a China, e também diante de taxações anunciadas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, em 2025.
O presidente será acompanhado por uma ampla delegação empresarial organizada pela ApexBrasil. A missão reúne cerca de 150 empresários na etapa indiana e aproximadamente 100 na agenda sul-coreana, com foco na diversificação de mercados e no fortalecimento da presença brasileira em setores estratégicos.
Na Coreia do Sul, a principal aposta é a abertura do mercado para a carne bovina brasileira. A iniciativa ganha relevância após a China, maior compradora do produto, anunciar uma medida de salvaguarda válida a partir de 2026, com duração de três anos, que prevê tarifa de 55% caso as importações ultrapassem 1,1 milhão de toneladas. Em 2025, o Brasil exportou 1,65 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês.
Além das proteínas animais, o governo pretende apresentar o Brasil como fornecedor de matérias-primas para a indústria de cosméticos, setor em rápida expansão na Coreia do Sul, especialmente nos segmentos de cuidados com a pele e cabelo. A expectativa da comitiva é também avançar em negociações para atrair investimentos de empresas sul-coreanas de tecnologia.
Já na Índia, vista pelo governo como um mercado de grande potencial, a pauta é mais diversificada. O foco recai sobre grãos e aves, considerando o baixo consumo de carne bovina no país, além da abertura de novas rotas comerciais. O discurso brasileiro deve destacar o papel do cooperativismo e da agricultura familiar na segurança alimentar.
A agenda indiana inclui ainda acordos na área farmacêutica, já que parte relevante dos insumos utilizados no Brasil é importada do país asiático, além de diálogos sobre minerais críticos, terras raras e biocombustíveis. A aproximação ocorre após a visita do vice-presidente Geraldo Alckmin à Índia, quatro meses atrás, quando foi firmado um acordo para aprofundar o comércio entre o país e o Mercosul, e ganhou força com a passagem do primeiro-ministro Narendra Modi pelo Brasil, em julho de 2025
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Após reajuste de salários, Câmara quer aumentar verba dos gabinetes

Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, aponta INCA

VÍDEO: Pitbull arranca dedo dedo de coletor de lixo durante ataque

Senado vai acelerar projetos contra maus-tratos a animais, afirma Davi Alcolumbre

Três Poderes lançam pacto para enfrentamento ao feminicídio no Brasil

Adolescente mentiu em depoimento sobre cão Orelha, diz polícia

Mulher negra e de origem indígena, desembargadora do TJMS assume cadeira no CNJ

Capotamento de ônibus que levava romeiros deixa 15 mortos em Alagoas

STF anuncia que Cármen Lúcia será relatora de código de ética da Corte

Lula e Narendra Modi em visita do primeiro-ministro indiano à Brasília (Adriano Machado/Reuters)



