O Maranhão aparece no topo de listas de trabalho escravo. Além de ser a principal origem dos trabalhadores resgatados em todo o país - 28,31% nasceram no estado -, aparece em quinto lugar com o maior número de pessoas e empresas flagrados em condições análogas às de escravo na lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego (MTb).
O Projeto de Lei 169/2013 determinava a cassação da inscrição no cadastro de contribuintes do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) de qualquer empresa que faça uso direto ou indireto de trabalho escravo ou em condições análogas. O projeto estabelecia também que caberia ao Executivo a publicação no Diário Oficial do estado da relação nominal das empresas que fossem punidas.
No início de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), vetou o projeto de lei. Procurado pela Agência Brasil, o governo do estado encaminhou a mesma justificativa apresentada à Assembleia Legislativa: “Apesar de reconhecer-se a relevância da propositura, entende-se não poder ser a mesma sancionada quando se verifica que o projeto representa matéria cuja competência é de iniciativa privativa do governador do estado, por se tratar de matéria tributária".
Em nota, o governo esclarece ainda que o veto deu-se porque a lei tinha "teor inconstitucional à época - a decisão da governadora é anterior à aprovação pela AL [Assembleia Legislativa] da proposta que modificou o texto da Constituição sobre o tema". No início de setembro, a assembleia manteve o veto da governadora.
O governo maranhense diz ainda na nota que "vem tomando medidas efetivas para a permanência da mão de obra no estado, qualificação do trabalhador, atração de novos empreendimentos e, consequente, erradicação do trabalho escravo, buscando impedir que maranhenses sejam vítimas dessa prática criminosa". Segundo o texto, o estado participa de programas como o Programa Marco Zero, iniciativa do Ministério do Trabalho que faz o acompanhamento prévio das vagas de trabalho oferecidas fora do Maranhão para trabalhadores maranhenses, numa busca por empregos que não tenham qualquer ligação com essa prática.
Além disso, o governo do estado está presente na Caravana da Liberdade, voltada à prevenção ao trabalho escravo e trabalho infantil. Os programas Maranhão Profissional e Viva Estágio Primeiro Emprego qualificaram aproximadamente 350 mil profissionais. "O objetivo é fazer com que os maranhenses sejam a principal mão de obra em fábricas e indústrias que estão se instalando no estado".
Os últimos dados do Ministério do Trabalho mostram que o problema do trabalho escravo persiste no estado. De março a junho deste ano, foram fiscalizados 17 estabelecimentos e 70 trabalhadores foram resgatados. Em 2012, foram fiscalizados dez estabelecimentos e 67 trabalhadores foram resgatados de março a outubro.Reportar Erro
Deixe seu Comentário
Leia Também

Brasil
Brasil ultrapassa EUA pela 1ª vez em ranking de liberdade de imprensa

Economia
Com precatórios, governo tem maior déficit para meses de março

Brasil
Anvisa manda recolher lote de sardinha após detectar salmonella

Brasil
IBGE anuncia primeiro censo da população em situação de rua para 2028

Justiça
TSE celebra 30 anos da urna eletrônica com evento aberto ao público em Brasília

Brasil
Governo promulga tratado que facilita extradição entre Brasil e Emirados

Justiça
Moraes manda demitir policiais condenados por tortura e reafirma entendimento do STF

Brasil
Conselheiro que chamou brasileiras de 'prostitutas' pode virar 'persona non grata' no Brasil

Polícia
Após cavar a própria cova, menino de 12 anos é salvo pela PMMT de execução

Brasil





