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Economia

Costureiras do Amanhã

25 março 2011 - 12h41Roberto Medeiros
No passado muitas mulheres romperam paradigmas em busca de melhores condições de vida e foram a luta por um emprego. Sem estudo elas começaram a trabalhar como domésticas, diaristas, vendedoras, costureiras e esperavam ter um bom emprego e mais oportunidades para os filhos.

O êxodo fez com que a maioria delas analisasse a luta que passou, como uma história que ficou para trás e que é melhor esquecer. Outras relembram o sofrimento como aprendizado. Com trabalho estável na Universo Íntimo ou UNI Indústria Têxtil, elas constróem sonhos em cima de uma dura realidade.

Separada com três filhos para criar, Marta Gonçalvez de 42 anos, deixou de ser dona-de-casa para liderar duas equipes dentro da empresa uma com doze funcionárias e outra com nove trabalhadoras. Ela explica que a necessidade financeira e o valor baixo da pensão dos filhos a fez retornar ao mercado de trabalho.

Mas não foi só por causa das dificuldades financeiras que ela voltou ao mercado, mas sim, por querer crescer com uma oportunidade. "Minhas três meninas estão com 17,18 e 22 anos, elas cresceram e eu também quis crescer. Antes pegava três, quatro conduções para chegar ao trabalho e, mesmo assim, não desisti", conta animada.

A empresa que Marta trabalha atua há seis anos no Indubrasil, distrito industrial de Campo Grande, e conta com 1,2 mil funcionários, destes apenas 80 são homens. A administradora e gerente geral da fábrica Roseli Schwarz, 47 anos, explica que o desafio de "iniciar uma empresa do zero e hoje comandar mais de mil mulheres" foi o que a motivou a sair de Jundiaí, interior paulista, para viver na Capital de MS.

"A mudança valeu a pena. Vim com o incentivo do meu marido e trouxe os meus dois gêmeos que estão com 19 anos", diz a gerente com olhar atento e pulso firme numa sala no alto do prédio que dá para ver pela janela toda a linha de produção da indústria de peça íntima feminina.

Segundo a assessoria de imprensa da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul das 9.520 indústrias instaladas no Estado, estão empregados 113.398 trabalhadores, destes 28.350 são mulheres, ou seja,25% do total. A maior parte está na região de Três Lagoas com 8.505 trabalhadoras, 30%, e a menor parte na região de Corumbá com 1.253 ou 15% do total. Em Campo Grande trabalham cerca de seis a sete mil funcionárias da indústria.

O PIB (Produto Interno Bruto) industrial da região central de MS, onde está localizado Indubrasil, segundo a Fiems, é o maior do Estado correspondente a 1,7 bilhão. Essa área possui 3.458 indústrias e gera 41.626 empregos, totalizando R$ 379,9 milhões em exportações de produtos.

Conforme o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e Ministério do Trabalho de Mato Grosso do Sul, em 2006 o setor de fiação, têxtil, confecção e vestuário empregava 5.257 pessoas. Quatro anos depois já trabalhavam com carteira assinada 8.666 trabalhadores. Nesse período foram abertas 3.409 vagas de empregos formais.

O crescimento do setor nos últimos cinco anos chega a 52%, o que equivale a uma taxa média de 10,5% ao ano. O presidente do Sindivest/MS (Sindicato das Indústrias do Vestuário, Tecelagem e Fiação de MS), José Francisco Veloso Ribeiro afirma que em torno de 93% dos postos de costura são ocupados por mulheres. Destas 60% compõe a renda familiar e 33% são chefes de família.

A auxiliar de costura Aparecida Ferreira Correia, 41 anos, já trabalha na UNI há seis meses, antes era empregada doméstica e sem pensão para cuidar de três filhos de 14, 16 e 18 anos sabe bem qual a responsabilidade de ser mãe e pai desses jovens.

“Os meus filhos estudam, o mais velho trabalha e o meu ambiente de trabalho é bom, estou mais feliz com a mudança”, revela Aparecida.

A mais nova chefe de família da empresa é Ana Fernanda Fagundes Rosa, 18 anos, que trabalha no setor administrativo da fábrica. Grávida de oito meses do primeiro filho que se chamará Gabriel, mãe solteira se separou do namorado, parou de estudar, engordou 10 quilos e tem as “melhores expectativas para o Gabrielzinho ” que chega agora em maio.

“Dá medo! Quando descobri que estava grávida já havia terminado com o pai, mas ele assumirá o bebê”, justifica a jovem que pretende ser advogada no futuro.

Para sustentar uma família, no Estado, o salário médio pago por trabalhador subiu de R$ 572, em 2006, para R$ 771, no ano passado. O aumento corresponde a uma taxa média real de 6,15% ao ano. No mesmo período, a massa salarial real se expandiu em 106%, uma taxa média real de 15,6% anual.

De acordo com José Veloso até agora houve crescimento de 60% na implantação de novas indústrias de confecção de médio e grande porte no Estado nos últimos anos. “Foram gerados mais de 3.800 empregos e estão previstos 1.570 novos postos de trabalho só em Campo Grande com instalação de quatro fábricas e ampliação de seis indústrias.”

Para quem quer subir de cargo nesta área a dica de Lucinéia Castanho Lopes, 30 anos, é estudar. “Eu já fiz dois cursos de modelagem e costura industrial pelo Sesi e Sesc, o que favoreceu o aumento do meu salário, mas eu também quero crescer na empresa.”

Sem um companheiro, com dois filhos de oito e nove anos que cursam o ensino fundamental, a costureira deixa os filhos com a mãe para poder trabalhar no turno da tarde e da noite. Sem pensão a sua renda é o único meio de sustento das crianças. Porém, as dificuldades não deixam que ela seja menos vaidosa e extrovertida, pois segundo ela “a fila anda”.

No dia 10 de outubro de 2001, Antônio Brasil publicou o artigo “Uma Ajuda para Entender a Crise”, no site Observatório da Imprensa e explicou: “a maior oportunidade para um envolvimento antropológico nos meios de comunicação de massa, [...] está naquelas matérias complementares mais explicativas que são tão necessárias para entendermos um mundo totalmente às avessas, repleto de novos personagens saídos de verdadeiras obras de ficção romanceada que insistem em se tornar notícia. Aquelas mesmas notícias que, infelizmente, a partir dos anos 80 foram consideradas desinteressantes e desnecessárias”.

Panorama Nacional

De acordo com a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) no ano de 2009, a cadeia têxtil e de confecção teve faturamento de US$ 47,4 bilhões e no ano seguinte atingiu US$ 52 bilhões.

Há dois anos exportações somaram: US$ 1,2 bilhão, contra US$ 1,7 bilhão em 2008 e as importações US$ 3,4 bilhões, contra US$ 3,7 bilhões no ano anterior. No País, o saldo da balança comercial operou em US$ 2,2 bilhões negativos. O Investimento no setor decresceu de US$ 1,5 bilhão para US$ 850 milhões no ano de 2009.

No Brasil, as 30 mil empresas abertas tem uma produção média de 9,8 bilhões de peças, empregando 1,7 milhão de empregados, dos quais 75% são mão-de-obra feminina. A fábrica de confecção fica em segundo lugar como maior empregador da indústria de transformação e também ocupa a posição de segunda maior geradora do primeiro emprego.

“Cheia de glamour”, em onze meses, Jéssica da Cruz Rabelo de 20 anos, já subiu três postos no seu primeiro emprego na Universo Íntimo. Ela começou como auxiliar depois passou a revisora do trabalho das colegas e para ter uma convivência mais “harmônica” foi para a máquina de costura.

Morando com os pais, namorando, e indecisa sobre qual curso escolher para seguir carreira no meio acadêmico, a jovem dá um conselho: “o ambiente de trabalho depende de você. A convivência é árdua, mas oportunidade tem, abraça quem quer. Eu estou satisfeita”.

No mundo o País ocupa o quinto lugar como maior produtor têxtil do mundo. Também é o segundo maior produtor e terceiro maior consumidor de ‘denim’ do mundo.

Mais fotos na galeria de imagens no link: http://www.jornaldedomingo.com.br/institucional/social-em-destaque/ver/101/costureiras-do-amanha.html

Alessandra Messias

25 de Março de 2011. Publicada às 12:41
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