A eleição de Roberto Azevêdo ao comando da OMC (Organização Mundial do Comércio) foi comemorada pelo Brasil como um reconhecimento à política externa de aproximação com o hemisfério Sul, bandeira internacional do petismo.
Não por acaso, integrantes do Palácio do Planalto calculavam ontem que o resultado da votação deveu-se muito ao apoio majoritário das nações africanas e do aval integral dos demais Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul).
A campanha envolveu, desde janeiro, os mais altos diplomatas de Brasília para cada região, que fizeram uma peregrinação pelas capitais em busca de votos.
Para assessores de Dilma Rousseff, porém, a vitória começou a ser desenhada em 2003, quando o Itamaraty passou a mirar fortemente nos países emergentes. Depois, criou corpo após a criação e consolidação do G-20 (grupo integrado pelas nações mais ricas e as emergentes).
Ontem, dizia-se na Esplanada que o Brasil não precisou ser devedor das tradicionais nações ricas para colocar os pés no "condomínio de Bretton Woods" --uma referência ao encontro em que os líderes das principais potências redefiniram o sistema financeiro internacional, em 1944, o que levaria à criação do FMI (Fundo Monetário Internacional).
O recado, apesar de velado, tem endereço certo: Reino Unido e os demais países que articularam até o último momento a favor do mexicano Herminio Blanco.
Aos olhos da própria Dilma, segundo alguns de seus interlocutores, a eleição de Azevêdo só deu mais sabor à vitória de um país que tem sido acusado de protecionista.
Em nota, Dilma agradeceu o apoio que o candidato "recebeu de governos de todo o mundo nas três rodadas". Em seguida, tentou despersonalizar: "Essa não é uma vitória do Brasil nem de um grupo de países, mas da OMC."
Pessoalmente empenhado em conquistar votos, o chanceler Antonio Patriota sai politicamente fortalecido.
No Planalto, a avaliação era de que o ministro ganhou vários pontos ao assegurar uma conquista inédita ao Brasil. Após o anúncio do placar, ele afirmou que a eleição demonstra uma "ordem internacional em transformação".
"Os países emergentes demonstram capacidade de liderança. Uma liderança que tem apoio no mundo em desenvolvimento, mas com reconhecimento no mundo desenvolvido", afirmou.
Para Patriota, a campanha criou um embate entre Norte e Sul. Segundo ele, no entanto, não há ressentimentos em relação aos países que votaram no mexicano. "Vamos seguir trabalhando com todos."
Via Folha
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Em 17 de março de 2013, o então embaixador do Brasil na OMC, Roberto Azevêdo, concede entrevista em Madri. 



