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Economia

Vendas de Carnaval ganham fôlego no varejo com crescimento dos bloquinhos

Lojas registram procura antecipada de foliões em busca de itens voltados à festa de rua na Capital

01 fevereiro 2026 - 11h15Sarah Chaves

Com vitrines sendo reorganizadas, prateleiras ganhando cores, brilho e adereços, o comércio de Campo Grande já sente os reflexos do crescimento dos bloquinhos de Carnaval, que vêm alterando o perfil de consumo e antecipando as vendas neste início de ano. Lojas de variedades e acessórios têm direcionado seus estoques para quem vai curtir a folia nas ruas, movimento que se fortalece na Capital e em outras cidades de Mato Grosso do Sul, mesmo com Corumbá mantendo sua posição como principal polo carnavalesco do Estado.

Na Loja Aurora, no Centro da cidade, a preparação segue um calendário já conhecido pelos comerciantes. A reposição de produtos começa no início de fevereiro, quando a procura passa a crescer de forma mais consistente. Para a comerciante Íris Cristina, o Carnaval é uma das datas mais importantes do ano para vendas de itens específicos. “Eu começo a vender lá no começo de fevereiro. Agora é que começa o boom”, afirma.

Segundo Íris, os clientes buscam principalmente acessórios leves e práticos, voltados para o Carnaval de rua. “É para bloquinho mesmo. Saia, tule, brincos, acessórios chamativos, coisas fáceis de usar”, relata. Ela destaca que, diferente de outras datas do calendário, o Carnaval tem um perfil muito definido de consumo. 
A comerciante explica que a preparação envolve não apenas estoque, mas também a organização da loja. “A gente muda vitrine, coloca os produtos mais na frente, deixa tudo mais visível”, conta. Para ela, o aumento do número de blocos e de pessoas nas ruas impacta diretamente o comércio local.
 
Na Ideal Variedades, o cenário é semelhante. A gerente Ana Paula afirma que os produtos de Carnaval começaram a chegar recentemente, mas a procura já é perceptível. “Já aumentou a busca por tinta de cabelo, maquiagem, acessórios de cabeça, correntes, saias. Muitas roupas saem”, afirma.

Ana Paula observa que, neste ano, os consumidores estão se antecipando mais do que em períodos anteriores. “O pessoal está bem adiantado. No Natal, a procura ficou mais concentrada nos dias próximos. No Carnaval, eles já estão procurando antes”, explica. Para ela, o comportamento reflete a consolidação dos bloquinhos como principal atrativo da festa.

Outro ponto destacado é a mudança no perfil do público. “Antes vinha mais adolescente, mais jovem. Hoje tem muita gente mais velha que também procura acessórios de Carnaval”, relata. Segundo a gerente, a maioria dos clientes já chega com destino certo. “Eles falam se vão para bloquinho, festa particular, onde vão curtir, e já procuram algo que combine”, diz.

A expectativa, segundo ela, é de vendas superiores às do ano passado. “A procura já está grande. Realmente vai ser mais aquecido”, avalia.
Esse movimento no comércio acompanha a expansão do Carnaval de rua em Campo Grande. Para o presidente da Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande (Lienca), Alan Catharinelli, os números ajudam a explicar o cenário. “No Carnaval de 2025, durante os festejos, a movimentação chegou em torno de R$ 27 milhões”, afirma.

Segundo Alan, o fortalecimento da festa também se reflete no apoio institucional. “O repasse para a Liga dobrou, porque o entendimento do governador é de que não é gasto, é investimento”, diz. Ele ressalta que o crescimento dos blocos exige mais organização e estrutura, o que impacta diretamente a economia local.

Na avaliação do secretário estadual de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania, Marcelo Miranda, os dados confirmam o impacto econômico do Carnaval, especialmente com os blocos de rua. “São três fins de semana de bloco de rua. Só no comércio, dados do nosso observatório confirmam cerca de R$ 27 milhões no período no último ano”, afirma.

Marcelo destaca que Corumbá concentrou cerca de R$ 15 milhões desse total, mas observa que Campo Grande vem ganhando protagonismo com o avanço do Carnaval de rua. Para ele, os números justificam os investimentos públicos. “Só isso já justifica o investimento que o governo faz no Carnaval”, afirma.

O secretário também chama atenção para efeitos que vão além dos números oficiais. “Tem a economia criativa, os artesãos, as lanchonetes, os ambulantes. Às vezes um ambulante trabalha três ou quatro dias e garante renda para um ou dois meses da família”, diz.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o comércio voltado a fantasias e acessórios já aposta no Carnaval como um dos períodos mais estratégicos do ano. Com mais blocos nas ruas, público diverso e consumo antecipado, o Carnaval de rua deixa de ser apenas festa e se consolida como motor econômico em Campo Grande e no Mato Grosso do Sul.

Ao mesmo tempo, levantamentos de entidades representativas do comércio reforçam a dimensão econômica desse movimento. Uma pesquisa realizada entre os dias 21 e 24 de janeiro, com 570 consumidores da Capital e do interior, aponta que o Carnaval de 2026 deve movimentar R$ 25,2 milhões na economia de Campo Grande, crescimento estimado de 5% em relação ao ano anterior.

Os dados da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS) e pela CDL Campo Grande, com suporte técnico do SPC Brasil indicam que a Capital concentra o maior volume interno de consumo do Estado durante o feriado, impulsionado pelo deslocamento de moradores de municípios como Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá e Naviraí, o que amplia a circulação de consumidores e pressiona positivamente comércio, serviços e rede hoteleira. 

Entre os moradores de Campo Grande, o gasto médio previsto é de R$ 550 por pessoa, direcionado principalmente a alimentação fora do lar, vestuário, calçados, transporte por aplicativo e lazer, com reflexos diretos na arrecadação municipal, especialmente via ISS, além de impacto estadual no ICMS de segmentos como moda, calçados, papelarias e livrarias. “O Carnaval interfere diretamente no faturamento do varejo. Quando há estrutura e organização, o consumidor permanece na cidade, compra no comércio local e utiliza serviços”, afirma o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo.
 

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