Menu
Menu
Busca sexta, 13 de março de 2026
Sebrae Delas - Mar26
Geral

Comitê diz que Brumadinho tinha problemas há 25 anos

O Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário de Apuração, criado pela Vale, concluiu seu relatório final

22 fevereiro 2020 - 15h44Marya Eduarda Lobo, com informações da Agência Brasil

Instituído pelo Conselho de Administração da Vale para apurar causas e responsabilidades do rompimento da barragem de Brumadinho (MG), o Comitê Independente de Assessoramento Extraordinário de Apuração (CIAE-A), concluiu seu relatório final. O documento de 50 páginas, divulgado na sexta-feira (21) no site da mineradora, mostra que a estrutura tinha problemas há 25 anos.

A barragem B1, na Mina Córrego do Feijão, se rompeu em 25 de janeiro do ano passado. Desde então, 259 corpos foram resgatados e 11 pessoas continuam desaparecidas. A criação do comitê foi anunciada pela Vale dois dias após a tragédia. Ele foi coordenado pela ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie. Os membros foram selecionados com apoio da consultoria internacional Korn Ferry.

De acordo com o relatório, a tragédia ocorreu por instabilidade estrutural com liquefação, fenômeno em que o rejeito sólido se converte em fluido. Os problemas existiam desde a época em que a Mina Córrego do Feijão pertencia à Ferteco Mineração. A Vale comprou a estrutura em 2001. "Desde 2003, a Vale tinha informações que indicavam a condição de fragilidade da B1, além de informações anteriores à aquisição da Ferteco", registra o documento.

O comitê apontou que em 2003 a Vale contratou o Consórcio Dam DF para realizar a auditoria externa, que encontrou valores de fator de segurança inferiores aos mínimos considerados satisfatórios. Entre 2010 e 2013, auditorias realizadas pela empresa Pimenta de Ávila recomendaram, em todos os anos, a realização de análises de potencial de liquefação, já que o último havia sido feito em 2006 pela empresa Geoconsultoria.

A Vale só foi encomendar um novo estudo em 2014. A Geoconsultoria foi novamente contratada. No entanto, a análise não foi feita com base em novos ensaios e sim a partir de uma reinterpretação de ensaios antigos. "Como resultado, foi apontada a suscetibilidade do rejeito da B1 à liquefação, com a ressalva de que a probabilidade de ocorrência de gatilho seria remota", registra o relatório.

Em 2016, novos relatórios finalizados pela Geoconcultoria "mostraram resultados desfavoráveis a respeito da estabilidade da B1". Em 2017, foi a vez das empresas Potamos e Tüv Süd realizarem estudos e ambas calcularam o fator de segurança como 1,06. Em 2018, Tüv Süd acabou atestando a estabilidade da barragem que veio a se romper. Na Comissão Parlamentar de Inquérito criada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), sócios da Potamos afirmaram que se retiraram do processo porque os padrões internacionais preconizam fator de segurança mínimo de 1,3.

O relatório indica ainda que, apesar dos problemas na barragem, não foram identificadas medidas da Vale para remover as instalações administrativas. A mineradora tinha ciência de que uma ruptura exigiria a evacuação do refeitório em até um minuto. A maioria dos mortos no rompimento da barragem é de funcionários da própria Vale e de empresas terceirizadas que atuavam na Mina Córrego do Feijão.

O comitê também listou 25 recomendações, entre elas a revisão dos manuais de operação das estruturas da mineradora e o aprimoramento da metodologia de avaliação de riscos geotécnicos. De acordo com a Vale, em até 30 dias será divulgado um cronograma para implementação das ações sugeridas. A mineradora também afirma que repassará o relatório às autoridades que investigam a tragédia.

Reportar Erro
Unimed Seu Sim Muda Tudo - Mar26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Elizangela Arce Correa não sobreviveu ao ataque
Justiça
Assassinato brutal de mulher no Los Angeles: réus são absolvidos e crime fica impune
Ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, em sessão no STF / Foto: Rosinei Coutinho
Justiça
Moraes autoriza operação da PF contra jornalista e entidades de imprensa reagem
Projeto Páscoa Solidária do TJMS pede doações para crianças e adolescentes
Geral
Projeto Páscoa Solidária do TJMS pede doações para crianças e adolescentes
Douglas Alves Mandu - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Justiça
Justiça concede medida protetiva a menina estuprada por pastor com cargo na prefeitura
Imagem de homem com algema
Justiça
TJMS absolve homem condenado por estupro de vulnerável após caso envolvendo 'selinho'
Seminário em Campo Grande vai debater litigância abusiva no Poder Judiciário
Oportunidade
Seminário em Campo Grande vai debater litigância abusiva no Poder Judiciário
Elizangela Arce Correa não sobreviveu ao ataque
Justiça
Acusados de matar mulher com golpes de faca enfrentam Tribunal do Júri em Campo Grande
Terminal em Campo Grande - Foto: Jônatas Bis/JD1
Justiça
Justiça manda prefeitura reajustar tarifa técnica dos ônibus da Capital para R$ 7,79
Foto: Divulgalção
Cidade
Engenheiro reforça protagonismo da alvenaria tradicional frente à construção industrializada
Fardamento PMMS - Foto: Jonatas Bis
Justiça
Justiça condena soldado da PMMS por vídeo em rede social com piada gravada em oficina

Mais Lidas

Fardamento PMMS - Foto: Jonatas Bis
Justiça
Justiça condena soldado da PMMS por vídeo em rede social com piada gravada em oficina
Elizangela Arce Correa não sobreviveu ao ataque
Justiça
Assassinato brutal de mulher no Los Angeles: réus são absolvidos e crime fica impune
Drogas eram arremessadas para dentro do presídio
Polícia
Facção usava propina para arremessar drogas e celulares em presídio de Campo Grande
Criança estava na rua
Polícia
Criança de 4 anos é encontrada sozinha em rua do Aero Rancho