O déficit da previdência em Mato Grosso do Sul pode chegar a 17,4 bilhões. É o que aponta um levantamento divulgado durante a audiência pública ‘Déficit da Previdência - Sem a Transparência o Servidor Paga essa Conta!', na tarde desta terça-feira (14).
O debate para discutir os impactos da Reforma Previdenciária que o Governo do Estado pretende implantar no Estado foi proposto pelo 2º secretário do Legislativo, deputado Amarildo Cruz (PT), em parceria com a Fetems.
Segundo o o diretor técnico da Consultoria Brasilis, Gustavo Carrozzino, a longevidade das pessoas aumentou e houve o aumento da população.
Este aumento é resultado de diversos fatores como melhoria no acesso aos serviços de saúde; campanhas de vacinação; aumento dos atendimentos pré-natais; acompanhamento clínico do recém-nascido; incentivo ao aleitamento materno; maior escolaridade; infraestrutura de saneamento básico e coleta de lixo.
“Baseado nestas informações e todo o acompanhamento dos números da previdência do Estado é possível afirmar que o déficit vai crescer e muito e que não pode-se extinguir um sistema sem ter uma amortização. O déficit técnico atuarial será de R$ 17,4 bilhões. Servidores públicos, o Governo do Estado e a Agência de Previdência de Mato Grosso do Sul (Ageprev) precisam discutir o que pode ser feito. É necessário a discussão de um plano de amortização. Temos que preparar a previdência para funcionar de forma saudável. É como montar um colchão de forma que os valores capitalizados possam suprir os gastos”, declarou Carrozzino.
Para Amarildo, a reforma agrava as finanças públicas. “São fatos a inconstitucionalidade e ilegalidade da proposta apresentada pelo Governo do Estado. A massa segregada foi criada justamente para acabar com o déficit. Propor sua extinção e a junção dos fundos é um escárnio”, explicou Cruz.
Dentre as mudanças propostas pelo Projeto de Lei (PL) 253/2017, do Poder Executivo, estão o aumento da alíquota de contribuição de 11% para 14%, do patronal de 22% para 28%, a criação da Previdência Complementar ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), a revisão do plano financeiro e previdenciário e a sistematização em um plano único.
O deputado Pedro Kemp (PT) discorda com a justificativa do Executivo de equacionar o déficit. Para ele, o governo pretende usar os R$ 400 milhões da massa segregada em ano eleitora. O deputado ainda sugeriu uma auditoria para que seja feito um diagnótico da previdência.
Para o deputado João Grandão (PT) é necessário a mobilização dos servidores públicos. “Eu estou deputado, mas também sou professor da rede estadual de ensino e estamos aqui juntamente com outros servidores para debater uma matéria que não tem a ver com a valorização do servidor público, muito pelo contrário, desvaloriza o servidor. Estamos juntos e precisamos nos unir nesta luta”, considerou.
Na mesma linha o deputado Coronel David (PSC) complementou: “Sou filho de policial militar com muito orgulho e eu quero registrar que estou junto na luta de todos vocês. E defendo um debate amplo até porque todos nós como servidores públicos precisamos de respostas”.
“Meu desejo é que a previdência atenda o direito servidor”, disse o presidente da Comissão de Regime Próprio da Previdência da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Ademir de Carvalho. E o tenente e coordenador geral do Fórum Estadual dos Servidores Públicos, Thiago Mônaco Marques acrescentou: “Uma única palavra resume tudo isso que é desrespeito para com o servidor público”.
“Nós iremos reunir uma comissão de deputados juntamente com a representação do Fórum dos Servidores, para irmos até o governador Reinaldo Azambuja (PMDB), para que seja retirado o PL 253/2017. E não havendo retirada da proposta será criada uma CPI para investigar as irregularidades existentes na previdência do Estado, e não esquecendo da necessidade de mobilização dos servidores públicos na luta de seus direitos”, concluiu o deputado Amarildo Cruz, que propôs o amplo debate.
Deixe seu Comentário
Leia Também

Traficante é preso em Campo Grande com quase 2 mil porções de cocaína

Prefeitura abre processo seletivo para formados em Artes Visuais em Campo Grande

TJMS nega soltura de homem acusado de homicídio em adega no Vida Nova

Policiais militares alvo de processos terão assistência jurídica gratuita em MS

Tribunal de Justiça de MS realiza consulta pública para mapear soluções de RH

TJMS autoriza pagamento de quase R$ 600 mil a cartórios por serviços gratuitos

Sem capacete e com droga, motociclista sofre acidente grave em Maracaju

Mulher enfrenta policiais, resiste à prisão e danifica viatura da PM em Maracaju

Motociclista é atropelado após cair em acidente com carro e veículo foge em Campo Grande






