A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) manteve, por unanimidade, a condenação de um hospital e de um plano de saúde ao pagamento de R$ 25 mil por danos morais a um estagiário que sofreu agressão física e ofensas de cunho racista no ambiente de trabalho.
O acórdão foi publicado no Diário da Justiça na terça-feira (24). O relator do processo foi o juiz substituto em 2º Grau, Fábio Possik Salamene. A ação teve início no Fórum de Campo Grande, onde o estagiário relatou que uma funcionária fazia comentários intimidatórios e proferia ofensas racistas. Em um dos episódios, afirmou ter sido ignorado três vezes ao pedir passagem e, ao tentar seguir caminho, foi impedido fisicamente, recebendo um chute na panturrilha.
Segundo o processo, ele foi conduzido a uma sala fechada, onde teria sofrido novas ofensas, além de um tapa no rosto que quebrou seus óculos. Testemunhas confirmaram que o estagiário procurou ajuda logo após o ocorrido, apresentando sinais da agressão e abalo emocional.
No recurso, hospital e plano de saúde pediram a anulação parcial da sentença ou a redução da indenização para cerca de R$ 5 mil, alegando ausência de provas suficientes e adoção de medidas internas.
Ao analisar o caso, o relator considerou que as provas testemunhais foram firmes e suficientes para comprovar a agressão física e as ofensas racistas. Também apontou falha das instituições em garantir ambiente de trabalho seguro e livre de discriminação.
Conforme a decisão, a funcionária recebeu suspensão de três dias e permaneceu no quadro da instituição, enquanto o estagiário foi desligado pouco tempo depois. Para o Tribunal, houve responsabilidade tanto pelo ato da agressora quanto pela omissão das instituições.
A decisão ressaltou que, em casos de agressão física associada a discriminação racial, o dano moral é presumido, sendo o valor de R$ 25 mil considerado proporcional à gravidade dos fatos. Com a decisão unânime da 3ª Câmara Cível do TJMS, a condenação foi mantida integralmente.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

'Advogado na essência': desembargador deve sair do TJMS e voltar à advocacia em março

Irmãos Brazão são condenados a 76 anos por assassinato de Marielle e Anderson

Tentativa de homicídio na Vila Santa Luzia: réu pega 7 anos de prisão em regime fechado

Acusado de ser o autor dos tiros que mataram adolescentes é julgado hoje na Capital

STF julga decisão de Dino que suspendeu pagamento de penduricalhos

Moraes diz que não há dúvida que irmãos Brazão mandaram matar Marielle

Homem que atirou contra desafeto no Santa Luzia é julgado por tentativa de homicídio

Assistente educacional pega 15 anos de prisão por estupro em escola de Campo Grande

Ordem dos Advogados aciona STF e pede fim do inquérito das Fake News






