Menu
Menu
Busca quinta, 12 de março de 2026
Justiça

STF cria níveis de sigilo e dificulta acesso do cidadão a processos; veja documento

A resolução do ex-ministro Luís Roberto Barroso limita o sistema Push e traz outras mudanças, como restrições a processos sigilosos

17 novembro 2025 - 19h22Vinícius Santos com informações da revista VEJA    atualizado em 18/11/2025 às 08h32

Uma resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) retirou do portal da Corte a possibilidade de qualquer cidadão acompanhar a movimentação de determinados processos que tramitam no tribunal, conforme noticiado pela revista Veja. 

A mudança decorre da Resolução nº 878, de 17 de julho de 2025, assinada pelo então presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, que antecipou sua aposentadoria em 15 de outubro e deixou o tribunal no dia 18 daquele mês.

A resolução disciplina a tramitação eletrônica de processos sigilosos, estabelece cinco níveis de sigilo e determina novos procedimentos para a proteção de informações processuais no Supremo. A norma entrou em vigor imediatamente após a publicação.

O que diz a resolução

A Resolução nº 878/2025 regulamenta a tramitação dos processos sigilosos no STF, define níveis de sigilo e orienta sobre o acesso interno e externo aos autos. Segundo o texto:

- O objetivo é “garantir a segurança e a integridade das informações processuais”.

- Os atos processuais devem ser públicos, ressalvadas as hipóteses legais que justificam a imposição de sigilo.

- Os processos sigilosos passam a tramitar exclusivamente por meio eletrônico.

A norma estabelece cinco níveis de publicidade:

- Nível 0 – Processo Público
- Nível 1 – Segredo de Justiça
- Nível 2 – Sigilo Moderado
- Nível 3 – Sigilo Padrão
- Nível 4 – Sigilo Máximo

Cada nível determina o que será visível ao público e qual tipo de usuário terá permissão para acessar informações internas.

Nos casos de segredo de justiça ou sigilo moderado, parte dos dados ainda pode aparecer na consulta pública. Porém, em situações classificadas como sigilo padrão e sigilo máximo, o acesso é significativamente reduzido.

No Nível 4 (Sigilo Máximo) — o mais restritivo — a íntegra dos autos e os andamentos só podem ser acompanhados pelo ministro-relator. Os demais ministros só terão acesso ao caso quando ele for pautado para julgamento.

Medida levanta questionamentos constitucionais

A retirada de acesso público a movimentações processuais — ainda que em casos classificados como sigilosos — reacende o debate sobre o princípio da publicidade, previsto no art. 37 da Constituição Federal.

O dispositivo estabelece que a administração pública, em todos os Poderes, deve obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

A restrição ampla imposta pelo STF pode ser interpretada como um possível descumprimento constitucional, já que limita o acompanhamento público de atos processuais que antes eram visíveis, afetando diretamente o controle social sobre decisões judiciais.

Resposta do STF à imprensa
Segundo a Veja, a revista questionou o Supremo sobre a supressão de acesso aos autos, citando inclusive casos concretos. Em resposta, o tribunal informou que as mudanças decorrem da resolução assinada pelo então presidente Roberto Barroso, que alterou as regras de tramitação de processos sigilosos, introduzindo os cinco graus de sigilo — do nível público ao sigilo máximo.

Ainda conforme noticiado pela Veja, no sigilo máximo, “os andamentos e a íntegra dos autos só podem ser acompanhados pelo ministro-relator que conduz o processo. Os demais ministros só terão acesso no momento em que o caso for pautado para julgamento”.

Resolução já está em vigor
A Resolução nº 878/2025 já está valendo, e seus efeitos são imediatos. Na prática, processos que antes exibiam movimentações gerais — mesmo quando sigilosos — agora podem aparecer apenas com a indicação de que são “sigilosos”, sem detalhes. Em níveis mais restritos, nem isso é permitido.

Leia o documento: 

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.

Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 no iOS ou Android.

Reportar Erro
Unimed Seu Sim Muda Tudo - Mar26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Leila Pereira, presidente do Palmeiras e dona da Crefisa
Justiça
Dino mantém depoimento de Leila Pereira na CPMI do INSS
Terminal em Campo Grande - Foto: Jônatas Bis/JD1
Justiça
Justiça manda prefeitura reajustar tarifa técnica dos ônibus da Capital para R$ 7,79
Fardamento PMMS - Foto: Jonatas Bis
Justiça
Justiça condena soldado da PMMS por vídeo em rede social com piada gravada em oficina
Caso foi atendido pela Defensoria Pública -
Tecnologia
Evento da Defensoria Pública debate IA e desafios do Direito do Consumidor em Campo Grande
Caminhão em acidente - Foto: Ilustrativa / Vinícius Santos
Justiça
Justiça manda transportadora pagar R$ 200 mil após morte de caminhoneiro em acidente
Menina sofria violência sexual -
Justiça
Justiça mantém 14 anos de prisão a homem acusado de abusar de enteadas em Maracaju
Traficante flagrado com 1,5 tonelada de maconha em Campo Grande pega 5 anos de prisão
Justiça
Traficante flagrado com 1,5 tonelada de maconha em Campo Grande pega 5 anos de prisão
Mortos na Operação Contenção / PMERJ E PCRJ -
Justiça
Audiência de direitos humanos discute operação policial no Rio que terminou com 122 mortos
Desembargador Ary Raghiant Neto - Foto: TJMS
Justiça
'Tempos de muito aprendizado', diz desembargador ao deixar o TJMS para voltar à advocacia
A vítima foi morta de forma brutal e cruel - Foto: Reprodução
Justiça
Dupla pega 40 anos de prisão por matar mulher brutalmente em Campo Grande

Mais Lidas

Fardamento PMMS - Foto: Jonatas Bis
Justiça
Justiça condena soldado da PMMS por vídeo em rede social com piada gravada em oficina
Carro e moto também foram apreendidos  Foto: Divulgação
Polícia
Força Tática desmantela esquema de 'disk drogas' em Campo Grande e prende três
Mulher é morta por elefante após provocar animal na Namíbia
Internacional
Mulher é morta por elefante após provocar animal na Namíbia
Drogas eram arremessadas para dentro do presídio
Polícia
Facção usava propina para arremessar drogas e celulares em presídio de Campo Grande