Cheguei ao Congresso Nacional, há alguns meses, e me deparei com um processo eleitoral em que um deputado se propunha a enfrentar a oposição e o governo para se tornar presidente da Câmara. E foi isto que aconteceu.
Pregando a independência do parlamento e a necessidade de colocar em votação mesmo os temas polêmicos, que há anos dormiam nas mais diversas gavetas, Eduardo Cunha derrotou no primeiro turno e de uma só vez Arlindo Chinaglia e Júlio Delgado.
O resultado foi uma revolução. Nunca se votou tanto. O governo não mandava mais na Câmara. CPIs foram instaladas. Temas polêmicos, como a redução da maioridade penal, a terceirização, o aumento da remuneração do FGTS, etc., foram aprovados e hoje se encontram adormecidos nos corredores do Senado.
Tudo isso desagradou a muitos. Um presidente da Câmara independente ou até oposicionista? “Não pode”, gritou o Governo. Um presidente da Câmara que valoriza a família tradicional? É homofobia, gritaram muitos. Um presidente da Câmara que defende o direito do cidadão possuir uma arma em sua residência ou propriedade rural? É “genocídio”, gritaram os defensores dos “Direitos Humanos”. E por aí vai...
Assim se chegou a um acordão. Eduardo Cunha seria transformado, perante a opinião pública, no chefe do Petrolão, o “boi de piranha” que deveria ser lançado ao rio para que o restante da boiada seguisse o seu caminho rumo à riqueza, ao poder, à paz e à tranquilidade.
Eu não sei se o Eduardo Cunha é culpado ou inocente. Não o conheço a tempo suficiente para botar a mão no fogo por ele, e por isso não a ponho. Todavia, muitas outras coisas eu sei...
Eu sei... que o Eduardo Cunha jamais deveria ser o primeiro político a ser julgado no “petrolão”, e que isto se constitui em uma evidente “inversão de pauta” que servia aos interesses do governo deposto.
Eu sei... que um parlamentar jamais poderia ser cassado com base em uma denúncia do Ministério Público ainda não julgada e com base na existência de uma conta cujo número nem sequer consta na representação.
Eu sei... que a liderança de Eduardo Cunha foi imprescindível para que o desgoverno de Dilma Roussef fosse deposto e o Brasil pudesse vislumbrar hoje uma janela de esperança.
Reportar Erro
Deixe seu Comentário
Leia Também

Criminalizar jornalistas é erro jurídico e ameaça à democracia, diz presidente da OAB-RJ

OPINIÃO: No xadrez político, o tabuleiro de 2026 começa a se desenhar

Mandato, Representatividade e Disciplina Partidária: A Função Sistêmica da Janela Partidária

OAB/MS contesta decisão do TJMG e pede revisão em instâncias superiores

Carnaval como gramática histórica da cultura popular: pertencimento, memória e a construção do povo

Dino vota por afastar Lei da Anistia para crimes permanentes

Sílvio Santos, Collor e Bolsonaro: decisões eleitorais e a construção da democracia brasileira

OPINIÃO: CPF à luz do dia: esconder dados enfraquece a democracia







