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Opinião

Educação: uma questão de acesso

27 agosto 2018 - 17h55Danilo Costa Filho

Em tempos de polarização de opiniões, da política ao futebol, todos hão de concordar com uma afirmativa: a educação brasileira de qualidade é cara e restrita a uma parcela muito pequena da população. O Brasil ocupa uma das dez piores colocações no ranking mundial da educação. Nosso país, a maior economia da América Latina, possui a pior educação da região, segundo a OCDE. E, como se não fosse suficiente, pesquisas recentes mostram que 20% dos brasileiros de 15 a 29 anos não estudam e nem trabalham, e que 76% dos jovens entre 20 e 24 anos simplesmente não estudam. Cerca de 40% de todos os alunos brasileiros sequer terminam o ensino básico.

O atual quadro brasileiro de falência educacional está consistentemente minando qualquer esperança clara de ascensão dos jovens e crianças. É preciso romper estruturalmente o status quo atual e ampliar em larga escala o modelo - hoje restrito - a uma escola de qualidade. Somente assim haverá maior isonomia de oportunidades. Isto é um imperativo – condição básica para a existência de um país justo.

Cabe lembrar que nenhuma democracia se consolidou sem educação básica de qualidade – e e não será diferente com o Brasil. A atual taxonomia entre escolas boas e ruins não pode limitar as oportunidades médias que uma pessoa terá ao longo da vida, como ocorre hoje.

Chegou o momento dos empreendedores sociais e demais entusiastas se mobilizarem em torno de soluções que atendam aos anseios e às necessidades da população no que se refere à educação básica.

Projetos bem-sucedidos em países como Peru, Colômbia, Índia, África do Sul, Paquistão, Vietnã, dentre outros, indicam duas coisas: (i) não é fácil, mas é possível, transformar uma realidade educacional; e (ii) não se trata de uma questão de recursos unicamente econômicos mas, principalmente, humanos. Gestão é o axioma comum em todos os casos estudados, nos quais se conseguiu elevar os níveis de conteúdo, a motivação dos docentes e as condições de trabalho no ambiente escolar.

É preciso encorajar o ecossistema, público e privado, a vislumbrar diferentes tipos (e prazos) de retorno no empreendimento educacional, injetando visão de longo prazo, entendendo a maturação lenta de um bom e consistente projeto educacional e sendo capaz de valorizar suas externalidades positivas à sociedade.

Uma educação de qualidade precisa ser acessível a todas as famílias brasileiras. Só desta forma será possível pensar em um futuro com menos violência, menos desigualdades sociais e mais possibilidades.

Sesc Novo

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