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OPINIÃO: Plano Lerner na história do desenvolvimento urbano de Campo Grande

25 junho 2024 - 16h18Fayez Feiz José Rizk    atualizado em 25/06/2024 às 16h20

Nas hoje esparsas discussões sobre planejamento urbano, devem ser considerados que desenvolvimento não é necessariamente crescimento populacional e que o conhecimento da história da cidade, em todos seus aspectos, sociais (incluso a política) e econômicos, é fundamental para balizá-las.

Campo Grande foi moldada em vários planos urbanísticos, praticamente à partir da sua formação como cidade, desde quando José Antônio Pereira, institivamente traçou a atual Rua 26 de agosto e dividiu o povoado em chácaras, passando por Nilo Javari Barém, Temístocles de Souza, Leonel Velasco, Alfredo Schnoor e outros.

No começo da década de 60, o Plano “diretor” elaborado pela Hidroservice (do aquidauanense Henry Maksoud) deu forma, por exemplo, ao chamado minianel rodoviário - hoje as ruas Ceará, Zahran, Salgado Filho, Tamandaré e Mascarenhas de Moraes – o distrito industrial do Indubrasil, assim como a localização de vários colégios municipais.

Mas, considero o mais importante plano urbanístico aquele elaborado por Jaime Lerner no final da década de 70.

Este plano tinha lastro em duas vertentes muito fortes: a primeira no transporte público, já com princípios de política de mobilidade urbana e na vertente ambiental, com princípios de desenvolvimento urbano sustentável.

Esse plano previa a estruturação da cidade ao longo de eixos radiais de transporte, com terminais de ônibus nas extremidades (na época), como a Av. Bandeirantes, Av. Costa e Silva, atual Av. Cônsul Assaf Trad e av. Júlio de Castilhos. Esses terminais eram alimentados por rede de ciclovias nos bairros – não por toda a cidade, como se pretende hoje – e por linhas alimentadoras de ônibus.

Esses terminais ligavam-se entre si e com o terminal central localizado na antiga rodoviária por linhas de ônibus, em corredores exclusivos ou preferenciais, propiciando rapidez no deslocamento.

Esse terminal central de todo o sistema, ligava-se a região Centro por calçadas confortáveis para o deslocamento à pé, com equipamentos urbanos, como bancos, lixeiras, iluminação e principalmente arborização.

No aspecto ambiental eram previstos, entre outros, dois grandes parques ao longo dos córregos Prosa, Segredo e Anhanduizinho, que serviriam como área de amortecimento natural para a drenagem urbana.

A lei de Ocupação e Uso do Solo Urbano fazia a conexão entre essas vertentes de transporte e ambiente: previa a ocupação mais intensiva ao longo dos eixos de transporte, com edificações de no máximo seis pavimentos e com altura menor à medida em que se afastava deles. Como curiosidade, na reunião em que participei com Lerner, ele explicou que essa altura era o limite de alcance da voz humana e inspirada em Paris.

A taxa máxima de ocupação do solo era de 50% da área do terreno, com exceção do Centro, onde essa taxa era de 80%.

Infelizmente ao longo dos anos essa estruturação foi desfigurada – ou desmantelada – com sucessivas alterações, como a verticalização, inevitável, mas desenfreada e mal localizada, desestruturando a mobilidade urbana e o microclima, com a ocupação intensiva de terrenos, comprometendo a drenagem, causando alagamentos e inundações e o “sumiço” da áreas de amortecimento que seriam os parques lineares de fundo de vales, entre outros danos.

Mas o golpe fatal considero a decisão equivocada que retirou o terminal central de ônibus da antiga rodoviária, causando a destruição de um sistema organizado de transportes, provocando a elevação inevitável da tarifa e as intermináveis – e inúteis – discussão sobre isso, e como consequência principal, a derrocada urbanística do Centro da cidade.

Evidentemente, não é o único fator, mas a mobilidade urbana é a principal causa da (quase) morte do Centro de Campo Grande.

Há cerca de dez anos, circulavam pelo Centro mais de duzentas mil pessoas que, número impossível de acessar somente através de veículos próprios, o que desmente a lenda urbana de que a “falta de estacionamento” causou a derrocada.

Mas a revitalização do Centro entendo ainda possível, com ações planejadas e coordenadas, assunto para outra e próxima oportunidade.

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