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Opinião

Picos de contaminações por Covid-19 e Gripe devem coincidir no Brasil

Em artigo, doutor em Biologia fala sobre a pandemia do novo coronavírus

20 abril 2020 - 11h02Fábio Edir    atualizado em 20/04/2020 às 15h51

Já não bastassem os reflexos que o avanço do Covid-19 tem provocado na saúde de milhões de pessoas, nos meses de maio e junho os brasileiros terão que enfrentar ainda um outro e conhecido vírus: Influenza, que provoca a Gripe comum que todos conhecemos.

Dados do Ministério da Saúde, em série histórica de 2012 a 2019, mostram que o pico sazonal de casos de pacientes internados com SRAG - Síndrome Respiratória Aguda Grave (Gripe – Vírus Influenza) aparece nas semanas epidemiológicas de 20 a 35 no Brasil. São os meses correspondentes ao Outono e ao início do Inverno no País, tradicionalmente marcados pela queda temperatura e pelo clima seco, fatores que favorecem a propagação do vírus no ambiente.

Os dados registrados a respeito da evolução das infecções pelo novo Corona Vírus no Brasil (Covid-19/Sars Cov-2) revelam que o número de casos confirmados e óbitos tem aumentado, e estamos atualmente com mais de 30 mil casos confirmados e quase 2 mil óbitos.  Essa evolução mostra que devemos ter nos meses de maio e junho a conjunção do pico de ação dos dois vírus: Influenza e Corona. Esses dados corroboram com as informações que o ex-Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e sua equipe vinham apresentando nas entrevistas coletivas das últimas semanas.

Os números registrados das internações hospitalares por SRAG, atualizado em no último dia 15 de abril, mostram que, em média, já temos pelo menos 7,5 vezes mais casos de SRAG em 2020, quando comparado ao mesmo período do ano passado (2019). Se comparados os números de casos da Covid-19 (Sars-Cov-2) e da Gripe (Vírus Influenza), observa-se que já temos praticamente 3,5 vezes mais casos de internações hospitalares pela Gripe, do que pelo Coronavírus.

Os leitos hospitalares a serem ocupados são os mesmos. As equipes da Saúde também já estão sobrecarregadas. Os cuidados básicos e as necessidades de EPI´s (Equipamentos de Proteção Individual) também se sobrepõem.

Desta forma, se não houver a colaboração de todos, podemos ter a Tempestade Perfeita, com uma parcela significativa da população brasileira infectada e com sintomas das doenças respiratórias - Gripe e Covid-19 - simultaneamente. A necessidade de atendimento e internação simultâneos de todas essas pessoas doentes, pode levar ao colapso dos Sistemas Estaduais e Municipais de Saúde.

Temos exemplos e experiências. Como a Pandemia chegou com pelo menos 1 mês de atraso aqui no Brasil, existe a oportunidade de aprender com a história dos países europeus, China e EUA. Se tivermos humildade e sabedoria, podemos vencer, mas é preciso uma boa ambiência institucional no País. E, contra fatos não há argumentos... precisamos de uma CIÊNCIA FORTE NO BRASIL.

Esse é o grande desafio hoje. Saber quanto imobilizar a população; saber o quanto manter os setores produtivos funcionando; saber como garantir a saúde e as vidas, não colapsando as economias. De uma coisa tenho certeza: nenhum Governante de nenhum país até agora conseguiu essa façanha. Nenhum Governante encontrou a fórmula. Por que? Porque essa é uma história única, singular, que estamos conhecendo e escrevendo juntos. É preciso encontrar a nossa identidade e escrevermos a nossa própria história.

Final feliz? Não para todos. Talvez para poucos, mas o compromisso é coletivo.

Façamos a nossa parte... - TODOS PELA SAÚDE DE TODOS

*Professor Doutor Fábio Edir dos Santos Costa - Doutor em Biologia
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS / SEGOV - Governo do Estado de Mato Grosso do Sul
Apoio: Projeto Mídia Ciência de Jornalismo Científico

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