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Popular entre os jovens, aplicativo TikTok é acusado de violar a privacidade de crianças

21 julho 2020 - 16h57Kadu P    atualizado em 22/07/2020 às 12h12

Antigamente conhecido como Musical.ly, o aplicativo para smartphones TikTok tem dominado o Brasil e diversos outros países, conquistando mais de 2 bilhões de downloads no total. A ideia do serviço é que os usuários enviem vídeos de apenas alguns segundos, com adereços visuais e sons dublados, que são mostrados em um feed que agrega os interesses de cada espectador. Assim, algumas pessoas assistem vídeos de dança, outros de animais, estilo de vida, dicas de limpeza, e por aí vai.

No entanto, a rede social de micro-vídeos não está livre de inúmeras polêmicas envolvendo sua marca. No iOS 14 os aplicativos que acessarem os dados copiados pelos usuários em outros aplicativos mostrarão um aviso, alertando da possível quebra de privacidade, o TikTok está entre os aplicativos que foram pegos acessando a área de transferência que pode conter senhas, dados de cartão de crédito, conversas pessoais e links.

O app também foi acusado por inúmeros órgãos mundiais de agregar dados de estrangeiros para o governo da China, alegação negada pela assessoria de imprensa do aplicativo, mas embasada em diversas conexões e pacotes de dados criptografados que o aplicativo envia constantemente para servidores chineses durante o uso. Dessa vez, a ByteDance, proprietária do aplicativo, está sob investigação do FTC - a Federação de Comércio americana e o Departamento de Justiça, por possíveis invasões à privacidade de crianças.

A privacidade digital

O debate sobre a privacidade sempre esteve presente dentro do ambiente dos entusiastas pela tecnologia, mas é somente nos últimos anos que tem tomado espaço dentro da vida cotidiana do público em geral. Com tecnologias como fingerprinting e cookies, e o grande poder e conectividade disponível em aparelhos como celulares, grandes empresas podem coletar uma quantidade imensa de dados sobre os usuários - dados que podem revelar o histórico de acesso, interesses pessoais, localização, tendências de comportamento, círculo de amizades, e muito mais.

Ferramentas para o combate à coleta excessiva de dados estão disponíveis, como é o caso de bloqueadores de anúncios ou, para ainda mais proteção, ferramentas como uma VPN que são capazes de proteger os dados pessoais em um dispositivo. No entanto, não adianta apenas que as ferramentas existam, é importante que a cultura moderna não perca a noção de sua própria privacidade, efeito que tem preocupado importantes figuras da segurança digital, como Edward Snowden, ex agente da NSA que revelou as práticas de coleta de dados do governo dos Estados Unidos em aliança com empresas como a Google e Microsoft.

Agentes reguladores da Europa e Estados Unidos tem aumentado a mira em serviços de grandes representantes da mídia digital, como o Facebook e agora o TikTok, para regulamentar as práticas de coleta de dados e implementar acordos sobre a privacidade dos usuários, principalmente menores de idade. Conjuntos de leis, como a GDPR na União Europeia, passaram a estabelecer as diretrizes mínimas para os dados que empresas tentem coletar dos usuários.

O problema do TikTok nos EUA

Em 2019, o aplicativo teria feito um acordo com as agências americanas para revisar sua política de privacidade quanto aos dados coletados por usuários menores de 13 anos, que compõe uma grande parcela do público do aplicativo. No entanto, as mudanças prometidas ainda não foram implementadas em atualizações do app, que continua sob grande pressão em território estado-unidense.

Além da polêmica quanto à privacidade, o aplicativo corre o risco de ser banido. As disputas entre China e Estados Unidos tem crescido ao ponto de gerar verdadeiros conflitos em escala macroeconômica. Recentemente, a tecnologia 5G implementada pela gigante chinesa Huawei em vários países tem sido alvo da disputa entre EUA e China, afetando até mesmo o Brasil, que terá sua estratégia de infraestrutura 5G repensada, de acordo com o Ministro Paulo Guedes. Em meio a essas tensões, o Comitê de Investimentos Estrangeiros estuda bloquear completamente o aplicativo nos Estados Unidos, devido à seu capital de origem chinesa.

Em resposta, o app nega violar a privacidade dos usuários, e tem focado em uma campanha de imagem global, abrindo escritórios em diversos países e contratando figuras importantes como Kevin Mayer, executivo da Disney, para representar a empresa.

Conclusão

O destino do aplicativo ainda é incerto, mas seu grande crescimento e popularidade, inclusive no Brasil, levantam a necessidade do debate urgente sobre a privacidade digital e a quantidade de dados pessoais que expomos - sabendo ou não - para gigantes estrangeiras. A polêmica envolvendo os dados de usuários não se limita à China ou o TikTok, já que aplicativos como o WhatsApp e Facebook, Instagram, Gmail e Zoom também se envolveram em diversos escândalos, como é o caso da Cambridge Analytica que destacou o papel do Facebook na manipulação de interesses dos internautas. Cabe ao público cobrar de seus governos e entidades reguladoras uma legislação mais moderna, adequada à mídia atual, para que a proteção dos usuários, e principalmente, das crianças da nova geração, seja garantida. E ainda no tema de empresas com problemas na justiça, saiba porquê o fundador da Ricardo Eletro foi preso em Minas Gerais.

*Kadu P. - Blogueiro da TechWarn | Blog com as últimas novidades sobre tecnologia

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