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Política

CPI da Covid: líder do governo, Ricardo Barros, depõe dia 20

Randolfe Rodrigues disse à CPI que Bolsonaro citou nome de Ricardo Barros ao ouvir suspeitas sobre Covaxin; líder do governo nega

07 julho 2021 - 08h37Redação, com G1

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), informou na terça-feira (6) que a comissão marcou para o próximo dia 20 o depoimento do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara.

Randolfe deu a informação após ter participado de uma reunião com outros integrantes da CPI, entre os quais o presidente, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL).

Em depoimento à CPI, em 25 de junho, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, disseram ter informado ao presidente Jair Bolsonaro as suspeitas envolvendo as negociações para aquisição da Covaxin, vacina contra a Covid-19 produzida por um laboratório na Índia.

Ainda no depoimento, Luis Miranda disse que, ao ouvir o relato, Bolsonaro citou o nome de Ricardo Barros. O parlamentar chefiou o Ministério da Saúde no governo Michel Temer (2016-2018).

Desde então, o líder do governo na Câmara tem negado envolvimento em irregularidades, afirmando que não há "dados concretos" ou "acusações objetivas" contra ele.

O depoimento de Ricardo Barros estava, inicialmente, previsto para a próxima quinta-feira (8). Entretanto, o grupo majoritário da CPI decidiu adiar o comparecimento do líder governista a fim de reunir mais elementos para o interrogatório. Barros, no entanto, chegou a acionar o Supremo Tribunal Federal a fim de garantir o depoimento no dia 8.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu a um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) e autorizou um inquérito para apurar se Bolsonaro prevaricou no caso Covaxin. Isto é, se foi avisado sobre as irregularidades e não acionou os órgãos de investigação.

O governo já apresentou diferentes versões sobre o assunto. Bolsonaro, por exemplo, diz que se reuniu com Luis Miranda, mas que não foi avisado das suspeitas. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, no entanto, diz que foi acionado por Bolsonaro e que a pasta não encontrou irregularidades.

Investigações

As negociações para aquisição da Covaxin são investigadas pela CPI da Covid; pelo Ministério Público Federal; pela Polícia Federal; e pelo Tribunal de Contas da União (clique no nome de cada órgão para ler detalhes da apuração).

O imunizante é o mais caro negociado pelo governo até agora, e o contrato foi firmado entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, empresa sem relação com a indústria de vacinas.

Segundo a fiscal do contrato do ministério, Regina Célia, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, que prestará depoimento à CPI nesta quarta (7), foi alertado que o preço da Covaxin estava acima do valor cobrado em outros contratos.

Procurada pelo G1, a defesa de Dias disse: "As questões de negociação e preços de vacinas nunca foram de competência da Diretoria de Logística, nem neste contrato [da Covaxin] nem em qualquer outro."

Calendário

De acordo com Randolfe Rodrigues, foi definido o seguinte calendário para os próximos dias da CPI:

  • 7 de julho: Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde;
  • 8 de julho: Francieli Fantinato, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações;
  • 9 de julho: William Amorim, funcionário do departamento de importação do Ministério da Saúde;
  • 13 de julho: Emanuela Medrades, diretora da Precisa Medicamentos;
  • 14 de julho: Amilton Gomes, presidente da Senah;
  • 15 de julho: Christiano Carvalho, representante da Davati Medical Supply;
  • 16 de julho: Coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde;
  • 20 de julho: Ricardo Barros (PP-PR), deputado federal e líder do governo.

Existe a possibilidade de no dia 21 de julho a CPI ouvir o coronel aposentado Guerra.

A convocação de Emanuela Medrades é uma alternativa que a comissão encontrou ao depoimento do sócio-presidente da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele obteve no Supremo Tribunal Federal o direito a ficar em silêncio na comissão.

 

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