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Política

Fascinado pela política, Wilson Barbosa Martins fala rindo de como viver 94 anos

21 junho 2011 - 10h20CG News

Corinthiano e comercialino, o ex-governador Wilson Barbosa Martins comemora hoje 94 anos. "Comemoração mixuruca, não vai ter nada", responde o aniversariante aos risos. No dia do aniversário, o almoço deve ser com o genro Abdalla Jallad e os netos. Um bolinho espera pelas pessoas que forem cumprimentá-lo "aos que vierem, vão comer um docinho", diz.

Às vésperas do aniversário, Wilson Barbosa Martins recebeu o Campo Grande News no escritório e contou um pouco da rotina de quem já deixou a vida pública, mas continua presente no cenário político. Falou sobre como é ver colegas partindo, a morte da filha e uma possível namorada.

O ex-governador acorda cedo, por volta das 06h30 da manhã, toma o café e vai para o escritório, que funciona no mesmo terreno da casa. "Leio jornais do dia, escrevo, atendo o que tem para atender", fala.

Na escrivaninha de Wilson Barbosa, pelo menos seis livros entre história e biografia, e ele mostra o que está lendo agora, "Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado".

Pontualmente, ao meio-dia, ele deixa os afazeres para sentar à mesa, no cardápio: feijão, arroz, carne e mandioca. "É a comida de todo brasileiro, e assim vai", conta.

A rotina é calma, depois de um descanso, o ex-governador volta ao escritório e encerra o expediente às 17h30. "Levo uma vida tranquila como é possível de ser", comenta.

Ex-governador acompanhado da saudosa filha, Celina Jallad. Foto tirada em 2010, por Roberto Higa.

Aos 94 anos, Wilson Barbosa já viu muitos colegas e familiares partirem. Ele resume como sofrimento, principalmente a dor de perder a filha Celina Jallad. "Já vi meus pais, irmãos todos, amigos, ano passado José Fragelli. Eu cumpro o dever de estar sempre prestando homenagem" fala.

Sobre a morte de Celina, "sofri muito. Ela queria muito bem a mim e eu à ela, me fez e me faz muita falta", diz.

Ele completa falando que ainda bem que tem a família, pessoas amigas, mas que isso é a vida. "Da minha geração quem é que resta? Eu estou com 94 anos?" comenta em tom de brincadeira.

Em relação a uma possível namorada, Wilson Barbosa Martins descarta aos risos "acho que namorar, casar, isso é para jovem, que pode fazer planos de vida, não mais para um homem como eu", comenta.

Uma vida pública e pessoal tão longa, a pergunta não cala, qual seria o segredo da longevidade? "Eu também pergunto a você, porque eu não sei", afirma Wilson Barbosa.

Como lazer, estão as atividades na fazenda, a lida com o gado, as negociações e viagens para São Paulo e Rio de Janeiro. O futebol também não fica de lado, o ex-governador afirma que assiste e gosta das partidas pelo campeonato brasileiro e não nega, Corinthians no coração e o Comercial também. "Aqui, sou comercialino", exibe a faixa de campeão estadual 2010 do colorado.

Como não podia deixar de mencionar, a política continua presente na vida do ex-governante. Sobre o tema, nada pode surpreendê-lo, afirma. "Sou homem vivido. A política é cheia de sobressaltos, não tem porque me surpreender por nada. Ainda hoje, vi o prefeito demitir todo o secretariado" comenta.

Wilson Barbosa Martins que foi prefeito de Campo Grande, deputado federal, senador constituinte e primeiro governador eleito pelo voto direto no estado, deixou a vida política em 1998.

"A política é cheia de fascínio, eu também era assim. Quando fui político, encontrei muita alegria nas articulações do meu partido, PMDB. Quando deixei o governo, eu já tinha sido prefeito, deputado federal duas vezes, governador, senador, outra vez governador. Eu entendi que a minha missão estava cumprida e era hora de deixar a vida política para o jovem e cuidar da minha vida particular", resume.

Até hoje o ex-governador é procurado por amigos para conselhos, mas garante que não tem resposta para tudo "tenho amigos que me procuram, mas não sou conselheiro, não sou pessoa que tenha a solução", enfatiza.

Comemorando 94 anos, Wilson Barbosa Martins diz que todos os anseios são de natureza pessoal, não pública, mas ainda deseja o bem-estar da nação.

"Anseio pelo crescimento econômico para o Estado, país e prosperidade. Mas eu compreendeo que não há nada no âmbito pessoal que eu possa realizar", conclui.

Questionado se definiria como homem realizado "Não sei bem o que é um homem realizado, acho que todos da minha idade esperam mais um dia de vida, saúde, fazer passeios", finaliza.

Com informações do Campo Grande News.

Senar - agosto2020

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