Supervisores do Ministério da Saúde estão em Campo Grande realizando fiscalização nos serviços prestados à população. Um dos principais alvos da inspeção é o Samu 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que vinha sendo alvo de questionamentos após a constatação de que ambulâncias novas, já entregues à Capital, permaneciam paradas, sem operação.
A situação do Samu motivou denúncia formal encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF/MS) pelo deputado federal Geraldo Resende (PSDB-MS). A partir disso, o MPF e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) emitiram recomendação à prefeita Adriane Lopes, cobrando da prefeitura de Campo Grande um plano de ação urgente para colocar em funcionamento seis ambulâncias novas.
Fontes ouvidas pela reportagem confirmaram que o deputado Geraldo Resende teve atuação direta nos bastidores, articulando a “visita” do Ministério da Saúde às bases do Samu na Capital. O objetivo seria forçar a entrada em operação das viaturas que foram doadas pelo próprio Ministério da Saúde, por meio do PAC-Saúde, mas que até então não estavam atendendo a população.
A presença dos agentes federais provocou reação imediata da administração municipal. Em meio à fiscalização, a prefeitura divulgou material institucional com o título “Samu passa a operar com novo conjunto de ambulâncias”, afirmando que um novo conjunto de viaturas teria sido colocado em operação e que os veículos já estariam circulando pela cidade.
Nos bastidores, a avaliação é de que a pressão externa — especialmente após a denúncia levada aos órgãos de controle — foi decisiva para que as ambulâncias finalmente saíssem do papel e fossem colocadas nas ruas, ainda que de forma repentina.
Servidores denunciam “operação maquiagem”
Entre os servidores do Samu, no entanto, a versão oficial é vista com desconfiança. Trabalhadores relatam que a mudança foi imediata, mas claramente artificial. Para quem vive a rotina do serviço, a visita do Ministério da Saúde teria operado verdadeiros “milagres de ocasião”. Internamente, a situação foi definida como “operação maquiagem”.
“É maquiagem. Depois que a fiscalização vai embora, tudo volta a ser como antes”, afirmou um servidor do Samu, sob condição de anonimato, por temer perseguição e até demissão, mesmo atuando em um serviço essencial à população.
De acordo com as denúncias, durante o período de fiscalização, a coordenação do Samu teria determinado que nenhuma viatura poderia ficar parada, inclusive aquelas que normalmente apresentam problemas mecânicos, operam de forma limitada ou sequer rodam no dia a dia.
O clima entre os trabalhadores é de preocupação. Para os servidores, a grande dúvida é até quando o chamado “milagre” vai durar. Enquanto isso, o funcionamento real e contínuo das ambulâncias segue sob observação dos órgãos de controle.
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Ambulâncias do Samu 192 (Foto: Divulgação)



