O Ministério da Saúde rejeitou a proposta de parceria para a produção nacional da vacina contra a dengue apresentada pelo laboratório Bio-Manguinhos, da Fiocruz, em conjunto com a farmacêutica Takeda Pharma. A iniciativa fazia parte do programa de PDP (Parceria para o Desenvolvimento Produtivo).
Em nota, o ministério informou que o projeto não cumpriu requisitos mínimos, principalmente por não garantir acesso completo ao conhecimento de produção do insumo farmacêutico ativo (IFA), o que inviabilizaria a fabricação integral da vacina no Brasil. Ainda segundo a pasta, não houve recurso contra a decisão.
A Takeda afirmou que, do ponto de vista técnico, estava preparada e disposta a viabilizar a parceria. A empresa disse também que permanece aberta ao diálogo com o Ministério da Saúde e o governo federal para buscar alternativas que ampliem o acesso à vacina e fortaleçam a capacidade nacional de imunização. A reportagem procurou a Fiocruz, mas não obteve retorno.
Com a produção nacional da vacina Qdenga, seria possível ampliar a vacinação contra a dengue para outras faixas etárias. Atualmente, o imunizante, aplicado em duas doses, é utilizado pelo Sistema Único de Saúde apenas em jovens de 10 a 14 anos.
Em junho de 2024, a Fiocruz informou que operava no limite da capacidade e que dependeria da construção de uma nova fábrica para atender à demanda do SUS. À época, a fundação alertou que a produção da vacina da dengue poderia reduzir ou interromper a fabricação de outros imunizantes, o que poderia resultar em aumento de casos e até de mortes pela doença. Esses apontamentos constam em documento interno elaborado em abril de 2024.
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Vacina contra a dengue Qdenga, do laboratório Takeda (Divulgação )



