Depois da explosão de cores dos ipês, o cerrado sul-mato-grossense ganha novos tons com a florada da guavira. Também conhecida como gabiroba, a planta nativa se destaca não apenas pela beleza de suas flores, mas pelo fruto doce e levemente ácido que marca a tradição local.
Sua polpa suculenta pode ser consumida in natura ou transformada em sucos, geleias, licores e doces, garantindo sabor e economia para comunidades que mantêm viva a cultura do cerrado. Além do valor gastronômico, a guavira preserva a memória e a biodiversidade de Mato Grosso do Sul. Cada fruto é também um testemunho da relação histórica entre o homem e o bioma, desde o consumo indígena até as práticas atuais de cultivo e pesquisa, que buscam conciliar preservação ambiental e aproveitamento sustentável.
A fruta desempenha um papel importante do ponto de vista ecológico, cultural e econômico, segundo Ana Cristina Araújo Ajalla, gerente de pesquisa da AGRAER-MS. “Do ponto de vista ecológico, com certeza é a preservação da nossa biodiversidade. A tendência é o aumento das áreas de produção agropecuária, com isso as áreas nativas tendem a diminuir. Por isso a importância de estudos destas espécies em relação a composição química, por exemplo, utilização alimentar e principalmente os estudos biológicos e agronômicos visando a reprodução e cultivo”, contou Ana.
Já sobre a parte cultural, a gerente de pesquisa afirma que a guavira faz parte da história do Estado, e que consta seu consumo pelas comunidades indígenas desde a guerra do Paraguai. Já do lado econômico, Ajalla afirma que tem grande valor de comercialização. “O litro está sendo vendido a R$ 20,00. Como 1 litro tem cerca de 600 gramas de fruto, o kg pode chegar a mais de R$ 30,00. Além disso muitas comunidades tradicionais têm na época da guavira um retorno econômico importante”.
Segundo a especialista, os frutos podem ser colhidos de outubro a dezembro, podendo haver variações entre os anos e regiões. “Em 2024 a frutificação ocorreu em meados de outubro. Em 2025 estão começando a amadurecer agora – 1ª quinzena de novembro”, destacou.
Além disso, ela ressalta que a fruta pode ser aproveitada de diversas formas, desde In Natura – principal forma de consumo como outros produtos processados, como polpa, sorvete, geleia, rapadura de guavira, bolo, tempero, cachaça, vinho.
Apesar de sua resistência, a espécie enfrenta ameaças à diversidade genética devido à expansão agropecuária e ao extrativismo inadequado. Para proteger a planta, a AGRAER realiza estudos biológicos e químicos, além de incentivar o cultivo, distribuindo cerca de 3.000 mudas anualmente para áreas urbanas e rurais. A ideia é que a guavira esteja presente em quintais e pomares, fortalecendo a presença da fruta no estado.
“O risco das espécies nativas é de perda da diversidade genética, pela expansão da atividade agropecuária (que vai ocorrer de qualquer forma, diante do crescimento populacional. O próprio extrativismo, se for feiro de maneira incorreta, pode gerar a perda desta diversidade”, alertou a gerente de pesquisas.
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Além do valor gastronômico, a guavira preserva a memória e a biodiversidade do Mato Grosso do Sul. (Divulgação)



