Um menino de 5 anos decidiu entregar um currículo na empresa onde o pai, vítima da Covid-19, trabalhava como segurança, em São João da Boa Vista (SP). Evaldo ficou 7 dias se sentindo mal em casa e apenas um internado na Unidade de Terapia Intensiva.
A ideia inusitada teve a intenção de ‘trabalhar para ajudar a mãe’, mas acabou sendo uma forma de matar a saudade e ficar mais próximo dos amigos do homem que ele tanto amava.
"No dia que ele internou, ele estava muito ruim e o Murilo chamou ele pela porta e falou: ‘Tchau, pai’. Ele não conseguiu olhar pra trás de tanta dor, de tão cansado que ele estava. Quando ele estava no oxigênio ele falou: ‘poxa, eu nem falei tchau pro meu filho’. Eu falei: ‘mas vai dar tempo de voltar lá e dar tchau’. E não deu”, disse a dona de casa Tatiana Barbieri Braselino.
O maior receio de Tatiana era contar para Murilo que o herói dele tinha ido para uma missão muito maior. “Jesus já veio buscar o papai e aí ele falou: ‘mas ele morreu?’ Eu falei: ‘nós não vamos ver mais ele agora, mas logo a gente vai encontrar ele, né? Ele chorou, me abraçou e eu falei: ‘mas você não tá sozinho’”, disse.
Alguns dias depois da morte do pai, Murilo apareceu com um pedido bem inusitado. “Ele falou assim pra mim: ‘mãe, eu quero entregar um currículo na empresa do pai’. Aí, eu falei: ‘mas, filho, não tem como ir lá, né, agora eles tão trabalhando. Ele falou: ‘não, mas eu quero’. Ai eu fui fazendo pra ele, conforme ele foi falando e eu fui fazendo”, disse a mãe.
No currículo, a mãe colocou que Murilo estuda, faz natação e ‘não fica cinco minutos parado’. Uma foto 3x4 também foi colada. “Coloquei num envelope que eu tinha e aí quando a gente foi no mercado antes a gente passou lá”.
Na entrega, ele encontrou com um dos colegas do pai, o vigia Alan Fritoli Silva. “Eu fiz a ideia do currículo para trabalhar igual ao meu pai”, disse o garoto.
“Aí ele me entregou, falou que era pra entregar no RH, que ele queria trabalhar de qualquer jeito. Falou que queria pra ajudar a mãe, que tinha perdido o pai, que ele é o dono da casa, que ele vai pagar as contas”, disse o vigia.
“Eu acho que ele entendeu isso assim: ‘que o pai morreu, então agora quem manda sou eu, quem é o homem da casa, sou eu, né? Então ele pegou uma responsabilidade que talvez não era dele ainda, mas ele entendeu que já seria”, afirmou a mãe.
“O amor que o Evaldo tinha por ele era uma coisa indescritível. E a transmissão de valores que ele deu pro Murilo, também, que eu acho que é o mais importante, né? Que demonstra o caráter que o Evaldo tinha, que sempre teve e, se Deus quiser, vai se perpetuar no filho dele. É um prazer receber ele. Sempre, a porta daqui vai estar sempre aberta pra ele”, destacou o coordenador de segurança da empresa, Thiago Ansani.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Febraban alerta sobre golpe do falso gerente

Com PEC aprovada, guardas municipais podem ser chamadas de Polícia Municipal

Operação mira agentes da Polícia Civil que blindavam criminosos em delegacias de SP

CPI recorre ao STF contra suspensão da quebra de sigilos de empresa da família Toffoli

Mês da mulher: SUS ganha teleatendimento para mulheres expostas à violência

Brasil pede à OMS inclusão de CID de feminicídio

Ministro André Mendonça dá 'ralo' na PGR após órgão ignorar urgência na prisão de Vorcaro

PF aponta corrupção na saúde de Macapá e ministro do STF afasta prefeito

Projeto que proíbe uso de dinheiro em espécie em transações imobiliárias avança no Senado

Murilo era muito apaixonado pelo pai em São João da Boa Vista (Foto: Reprodução/EPTV)



