Líderes religiosos ouvidos avaliaram como positiva a escolha do tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano. Os estudantes que fizeram a prova ontem (6) tiveram de desenvolver uma redação sobre os “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. A redação seguiu a tendência das provas dos últimos anos de tratar temas sociais.
Na avaliação dos líderes, a iniciativa estimula a reflexão dos jovens.
O presidente da Associação Brasileira dos Templos de Umbanda e Candomblé (Abratu), Pai Guimarães, disse que o tema é pertinente em um momento de desrespeito às liberdades. “Se queremos a liberdade amanhã, temos que semear hoje, e nada melhor que colocar essa ideia de liberdade de convivência com o diferente que abordá-la com nossos jovens”, disse.
Para ele, trazer o tema para discussão entre os jovens é importante para a construção de uma sociedade mais igualitária. “Intolerância, racismo, preconceito são uma questão cultural e educacional, se aprende. A pessoa não nasce racista e intolerante, ela se torna de acordo com a educação que recebe. Se no berço da educação você traz o jovem para a discussão do que está acontecendo, estamos semeando uma nova safra de cidadãos”, avalia Pai Guimarães.
Para o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom João Justino, o tema foi oportuno para a realidade brasileira marcada pelo crescente pluralismo religioso. “O diálogo deve ser um dos fundamentos para uma convivência saudável entre pessoas que professam credos diferentes e até com aquelas que se posicionam como não crentes”, disse.
Na avaliação de dom João Justino, é preciso eliminar da sociedade expressões preconceituosas e desrespeitosas no tratamento dos membros de outras comunidades religiosas. “Existe o risco do bullying religioso que fere a integridade da pessoa”.
O pastor e vice-presidente da Federação das Igrejas Evangélicas do Estado do Ceará, Gilberto Gomes, elogiou o tema e disse que considera haver na atualidade uma confusão de opiniões em relação ao social, à religião, à tolerância e a intolerância. “É uma discussão importante principalmente para nossa juventude, um tema que nossos jovens tem que aprofundar mais”, disse.
Professores ouvidos também elogiaram a temática, mas criticaram a forma como foi redigido. Segundo eles, o comando da questão poderá levar os estudantes a focarem mais nas proposições de combate à intolerância religiosa do que na dicussão da questão.
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