Mas essa preocupação deve ser encarada com menor apreensão pelo agronegócio. O crescimento da renda de boa parte da população e a urbanização mudaram os padrões alimentares na China.
O resultado é que o país poderá comprar menos minério, mas não fará o mesmo com os alimentos, cuja demanda continua crescendo.
Os chineses, exportadores líquidos de grãos até 2007, agora são importadores, tanto de grãos como de carnes.
A dependência chinesa por alimentos abre novas portas para o Brasil. E a demanda chinesa cresce mais exatamente em produtos cuja evolução é grande no Brasil.
É o caso do milho. O cereal é o que tem a maior evolução de produção no Brasil. O país saiu de 42 milhões de toneladas em 2006 para 82 milhões no ano passado.
E é exatamente onde a China terá as maiores dificuldades de abastecimento. As importações chinesas, que atingiram 2,7 milhões de toneladas na safra passada e devem ficar em 7 milhões nesta, poderão chegar a 22 milhões de toneladas em 2023/24, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).
As importações de soja deverão atingir 112 milhões de toneladas daqui a dez anos. Na safra passada, foram de 60 milhões. Nesta, 69 milhões.
As importações de grãos da China não se limitam a esses produtos, mas se estendem também para trigo, algodão, sorgo e até arroz.
Uma boa abertura para o Brasil virá também das carnes, principalmente da bovina, produto que, segundo analistas do Rabobank - banco especializado em agronegócio -, poderá ser a "nova soja" para a China.
Os chineses importaram 297 mil toneladas de carne bovina em 2013. Esse volume deverá dobrar até 2018, segundo o banco.
As portas se abrem também para as carnes suína e de frango. No primeiro caso, as importações crescerão 59% em dez anos, enquanto as de frango subirão 45%, aponta o Usda.
Esse setor de carnes, no entanto, é delicado e o país precisará se esforçar mais para participar dele.Reportar Erro
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(Foto: reprodução) 


