O reajuste da tarifa de energia em Mato Grosso do Sul para 2026 acendeu um alerta entre representantes dos consumidores. O aumento, que saltou de 1,39% em 2025 para cerca de 13% neste ano, levou o Conselho de Consumidores da Energisa MS (Concen-MS) a intensificar discussões com o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Após reuniões técnicas, o Conselho formalizou sua posição em documento enviado à ANEEL, destacando preocupação com o impacto direto nas contas de luz de cerca de 1,17 milhão de consumidores no estado. O reajuste previsto é de 13,22% para alta tensão e 12,93% para baixa tensão.
Segundo a análise, o principal fator por trás da alta são os encargos setoriais, especialmente os ligados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que tiveram aumentos expressivos. Um dos componentes subiu mais de 12%, enquanto outro registrou alta de 53%, pressionando diretamente o valor final das tarifas.
Para amenizar o impacto imediato, está em discussão o uso do chamado diferimento tarifário, mecanismo que reduz temporariamente o reajuste. Com isso, o índice poderia cair cerca de 0,8 ponto percentual. No entanto, o Conselho alerta que essa redução é apenas momentânea.
Isso porque o valor adiado, estimado em R$ 21 milhões, será corrigido pela taxa Selic e cobrado nas tarifas futuras. Na prática, o consumidor paga menos agora, mas pode enfrentar contas ainda mais altas nos próximos anos, especialmente se os custos do setor continuarem pressionados.
A presidente do Conselho, Rosimeire Costa, reforça a necessidade de cautela. “É fundamental que o processo tarifário considere tanto a sustentabilidade do setor quanto os efeitos diretos sobre o consumidor. As decisões precisam ser avaliadas com responsabilidade, especialmente em relação aos impactos futuros que podem recair sobre a população”, afirma.
O Conselho informou que seguirá acompanhando o processo e participando das discussões para buscar maior equilíbrio e previsibilidade na formação das tarifas de energia.
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Presidente do Consen-MS, Rosimeire Costa (Divulgação)



