A carne bovina segue com preços elevados no Brasil e o impacto já chegou com força às gôndolas dos supermercados. Mesmo com mudanças no cenário internacional, como a nova cota imposta pela China para compra da proteína brasileira a partir de 2026, a tendência é de manutenção, ou até aumento, dos valores para o consumidor ao longo do ano.
A princípio, a limitação nas exportações poderia indicar maior oferta no mercado interno e, consequentemente, queda nos preços. Mas o movimento esperado é o contrário. Para evitar excesso de produto e prejuízo, frigoríficos tendem a reduzir o ritmo de abate, o que diminui a oferta e mantém a carne em patamares elevados nas prateleiras.
Na prática, essa pressão já aparece no varejo. Levantamentos recentes mostram cortes nobres com preços elevados em diferentes regiões do país. A picanha já ultrapassa os R$ 80 por quilo em estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O filé-mignon sem cordão passa dos R$ 100/kg, enquanto cortes mais populares, como acém e paleta, já superam os R$ 40/kg em parte dos mercados.
A alta vem sendo puxada desde o início do ano. A arroba do boi gordo atingiu média de R$ 368,54 em abril, segundo o Cepea, o maior valor da série histórica para o período. Em janeiro, o preço estava em R$ 324,51, o que representa uma alta de 13,6% em quatro meses. Mesmo antes do segundo semestre, período tradicionalmente mais aquecido, a média de 2026 já supera a registrada em todo o ano passado.
No cenário externo, o Brasil exportou 701,64 mil toneladas de carne no primeiro trimestre, crescimento de quase 20% em relação ao mesmo período de 2025. Desse total, 325,42 mil toneladas tiveram como destino a China, principal compradora.
A preocupação do setor está na nova cota anual de 1,106 milhão de toneladas imposta pelos chineses. Caso esse limite seja atingido rapidamente, exportações extras passam a ser taxadas em 55%, o que desestimula embarques. Como o pico de vendas ocorre no segundo semestre, o mercado pode chegar a esse período com margem apertada.
Com isso, a combinação de exportações aquecidas, dependência da China e ajuste na produção indica que a carne deve seguir cara nas gôndolas — inclusive em um ano de maior sensibilidade econômica, como o eleitoral.
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