Comprar geladeira, fogão, celular ou trocar a TV voltou a entrar nos planos das famílias brasileiras. A compra de bens duráveis puxou a alta do Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em fevereiro.
O indicador da Confederação Nacional do Comércio (CNC) subiu 0,6% no mês, já descontados os efeitos sazonais, e chegou a 104,3 pontos — o maior nível desde maio de 2024. Na comparação com fevereiro do ano passado, o avanço foi de 1,5%, marcando o terceiro mês seguido de crescimento.
O grande destaque foi o item “Momento para Compra de Duráveis”, que saltou 4% em fevereiro e acumulou alta de 10,6% em 12 meses. É o melhor resultado desde abril de 2015. Hoje, 35,9% das famílias avaliam que é uma boa hora para adquirir esse tipo de produto.
Segundo a economista da CNC, Catarina Carneiro, um dos motivos é a inflação mais comportada nesses itens. Enquanto o IPCA geral acumulou 4,44% em 12 meses, os bens duráveis tiveram alta de apenas 0,85% no mesmo período. Ou seja, esses produtos ficaram relativamente mais “em conta” do que outros itens do dia a dia.
Apesar do fôlego nas compras, o cenário não é de total tranquilidade. Os componentes de Emprego Atual e Renda Atual caíram 0,7% em fevereiro, interrompendo uma sequência de altas. No comparativo anual, a percepção sobre o emprego também recuou 0,3%.
Mesmo com a taxa de desemprego fechando 2025 em 5,1%, a menor da história, o ritmo de novas contratações desacelerou. Isso tem deixado as famílias mais cautelosas em relação ao futuro profissional, refletido na queda de 5,2% na Perspectiva Profissional em 12 meses.
Quando se olha por faixa de renda, as famílias que ganham até 10 salários mínimos foram as que mais impulsionaram o consumo, com alta anual de 2,1%. Nesse grupo, a intenção de comprar bens duráveis disparou 13,6% no ano.
Já entre quem recebe acima de 10 salários mínimos houve leve queda de 0,7% na comparação anual. Ainda assim, de janeiro para fevereiro, esse grupo mostrou recuperação de 0,6%, puxada por uma percepção mais positiva do emprego em setores técnicos.
Em resumo, o brasileiro está mais animado para parcelar um eletrodoméstico ou trocar o carro, mas ainda mantém um pé atrás quando o assunto é estabilidade no trabalho e renda.
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Foto: Tânia Rego/Agência Brasil 



