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Economia

Da vitrine a cozinha: Páscoa vira fonte de renda na Capital

Enquanto lojas reforçam estoques, confeiteiras registram aumento de até 80% nas encomendas

15 março 2026 - 15h12Sarah Chaves

A Páscoa já movimenta o comércio de Campo Grande muito antes do feriado. Nas lojas especializadas, o planejamento começa meses antes da data e envolve negociação com fornecedores, definição de produtos, projeção de estoque e estratégias de marketing. Na franquia da Kopenhagen no Shopping Campo Grande, por exemplo, a preparação começou ainda em julho do ano passado, com a compra de materiais. 

No início de fevereiro, passam a chegar os insumos e tem início a montagem de vitrines, organização de estoque e treinamento da equipe.

A proprietária Bruna Vicari explica que a antecedência é fundamental porque a Páscoa é uma data decisiva para o caixa. “A Páscoa é muito ligada ao chocolate e, para nós, é a segunda data mais importante do ano. Aqui na loja, é um mês que dobra o faturamento. Só perde para o Natal”, afirma. Segundo ela, o comportamento do consumidor mudou nos últimos anos. “Hoje o cliente analisa muito valor e qualidade. Às vezes ele prefere um item menor, mas quer manter a sofisticação. Também cresceu a procura por linhas zero açúcar, zero lactose e zero glúten".

Bruna observa ainda uma diversificação de público. “A maior venda acontece nos últimos cinco ou seis dias antes da Páscoa, mas já existe uma tendência de antecipação. Temos reservas de itens exclusivos que esgotaram rápido no ano passado”. 

Aline Queiroz, pres. Associação dos Lojistas

No Shopping Campo Grande, a expectativa é positiva. A presidente da Associação dos Lojistas, Aline Queiroz, afirma que o setor acompanha projeções nacionais. “A expectativa é acima de 10% para o período. A Páscoa é um termômetro importante porque aumenta o fluxo de pessoas”, diz. Segundo ela, mesmo sendo uma data mais nichada para quem vende chocolate, os demais lojistas aproveitam o movimento. “O cliente vem comprar ovo, mas pode aproveitar para comprar roupa para o almoço de Páscoa, presente ou outro item. Aqui ele encontra tudo.”

Aline destaca que as lojas investem em visual merchandising temático e reforço de equipe. “Quem trabalha com infantil coloca coelhinho na vitrine, decoração alusiva. Tem família que não dá chocolate, mas entra pela ambientação. Toda oportunidade de fluxo nós vamos aproveitar.” Ela acrescenta que o shopping também organiza ações específicas. “Tem caça aos ovos, brincadeiras e atividades concentradas no fim de semana da Páscoa. Fluxo é sempre um termômetro, mas vendas são outro indicador. Quem vende chocolate realmente sente mais impacto.”


Consumidor x Preços
Se por um lado o comércio projeta crescimento, por outro o consumidor encontra preços mais elevados. A comparação feita pelo JD1 das pesquisas do Procon/MS de 2024 e 2025 evidencia avanço tanto no maior preço quanto na média praticada no mercado local.

Em 2024, o maior valor encontrado foi de R$ 124,90, em um ovo de 100 gramas que partia de R$ 65,99 no menor preço identificado. A variação entre estabelecimentos praticamente dobrou o valor do mesmo produto. A maior parte dos ovos pesquisados tinha valores centrais abaixo da faixa dos R$ 70. As maiores oscilações ocorreram em itens com brindes e apelo infantil, enquanto linhas premium apresentaram menor dispersão. Entre caixas de bombons, os preços máximos ficaram abaixo da faixa dos R$ 20, com diferenças percentuais relevantes, mas impacto absoluto menor no orçamento.

Já em 2025, o teto subiu para R$ 139,90, em um ovo de 120 gramas que começava em R$ 38,99 no menor valor registrado. A diferença entre o menor e o maior preço ultrapassou com folga o dobro do valor inicial. Além disso, produtos da mesma categoria apresentaram variações mais intensas do que no ano anterior chegando a 258%. 

Outro ponto observado nas pesquisas é a concentração das maiores variações em produtos licenciados e voltados ao público infantil. Esses itens, por incluírem brindes e personagens, apresentaram maior dispersão entre lojas. Já marcas consideradas premium mantiveram comportamento mais uniforme, com variação reduzida entre estabelecimentos. 

Segundo levantamento de intenção de consumo da Câmara de Dirigentes Lojistas em parceria com o SPC Brasil, a Páscoa de 2026 deve movimentar cerca de R$ 103,7 milhões no comércio de Campo Grande. O valor representa crescimento real de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a data gerou aproximadamente R$ 99 milhões em vendas na capital sul-mato-grossense.

Diante desse contexto, cresce também a procura por alternativas artesanais. O movimento beneficia confeiteiras que produzem em casa e encontram na data a principal fonte de renda do ano.

Renda extra

Aos 39 anos, Fabiana Frantz dos Reis conta que começou por necessidade. “Eu precisava de uma atividade que me permitisse conciliar trabalho e casa, principalmente por causa do meu filho. Comecei com cursos online e fui me aperfeiçoando.” Hoje, a produção artesanal é a única renda da família. “Na Páscoa a procura aumenta muito. A divulgação começa cedo e eu compro os insumos conforme os pedidos entram. É o período que dá fôlego financeiro para o resto do ano.”

Tatiane Kishita, confeiteira há 10 anos, confirma o impacto positivo. “As vendas aumentam de 40% a 80% em comparação aos meses anteriores. O começo do ano é fraco, então a Páscoa é como uma injeção de vitaminas para os bolsos.” Segundo ela, o planejamento começa até três meses antes. “A gente compra chocolate, pesquisa tendências de formas e sabores. Sempre tem novidade.”

Ela aponta o diferencial do produto artesanal. “O cliente pode escolher dois ou três recheios. Trabalhamos com ingredientes frescos e de qualidade. É personalizado.” O aumento da demanda pode exigir reforço. “Às vezes precisamos de ajuda temporária. É um período de alta lucratividade para nós confeiteiras.”

Entre grandes redes que dobram faturamento, lojistas que projetam crescimento acima de 10% no fluxo e produtores caseiros que dependem da data para equilibrar as contas, a Páscoa consolida seu papel como engrenagem relevante da economia local. Em 2025, com preços mais altos e média superior à de 2024, planejamento e estratégia se tornam essenciais para quem vende e para quem compra.

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